A origem do Satanismo

Segundo a opinião de Epifânio de Salamina, um dos autores da Antiguidade Clássica que se dedicou ao estudo das mais diversas heresias cristãs, esta seria a origem do Satanismo:

 

[Falando de várias heresias, o autor acrescenta depois] Others in their own turn thought of something still more crafty and said, as though, in their simplicity, consulting their own intelligence, “Satan is great and the strongest, and does people a great deal of harm. Why not take refuge in him, worship him instead [of God], and give him honor and blessing, so that < he will be appeased* > by our flattering service and do us no harm, but spare us because we have become his servants?” And so, again, they have called themselves Satanians.

fonte

 

A ideia, em si, pode parecer um tanto ou quanto estranha, mas também faz muito sentido – se Satanás, ou o Diabo, ou como desejarmos chamar-lhe, é vulgarmente visto como uma figura nefasta, porque não prestar culto a ela, de forma a que deixe de nos prejudicar?

Uma Tróia que não foi derrotada, a 11ª oração de Dion Crisóstomos

O tema da 11ª oração de Dion Crisóstomos é, creio eu, demasiado curioso para eu não falar dele aqui. O autor escreve, nessa altura, de uma Tróia que não foi derrotada, e de uma história de Homero repleta de mentiras. Deixa, por exemplo, subentendido que a cegueira de Homero se devia à mesma razão que a de Estesícoro, mas também diz que Helena jamais foi raptada, que Aquiles teria morrido pela mão de Heitor, que haveria uma boa razão para o mesmo autor não ter contado “as histórias de Mémnon e da Amazona”, que o famoso episódio do cavalo jamais teria tido lugar, e muitas outras coisas do género, que apoia no suposto testemunho de um egípcio com quem teria falado. Claro que qualquer outro autor poderia pôr problemas destes, mas o melhor, no texto de Dion, é que todas essas possibilidades estão extremamente bem justificadas, e até fazem todo o sentido, face aos argumentos apresentados. Mas… uma questão óbvia, aqui, é se o conteúdo do texto será verdadeiro, ou seja, se essa possibilidade, essa ideia de uma Tróia que não foi derrotada, era vista como real na altura. Será que era? No contexto das outras orações do mesmo autor, parecer-me-ia correcto concluir que, mais do que pensar na veracidade dessa ideia, deveríamos era pensar no porquê do autor escrever as linhas que escreve, e é nesse contexto que fará mais sentido ver este texto como, por exemplo, uma crítica aos sofistas, habituados a torcer as verdades com os seus argumentos, do que termos de nos interrogar sobre se, por exemplo, Homero fez um retrato fiel das artes guerreiras de Aquiles. Este sim, é um texto extremamente interessante, e que deverá, creio eu, sem dúvida ser lido por todos aqueles que estudam os poemas homéricos, quanto mais não seja para se poderem rir um pouco.

Uma bela citação provinda da Eneida

Quando Eneias reencontra Dido no reino de Hades, e tenta falar com ela, o seguinte tem lugar: She turned away, her eyes fixed on the ground, no more altered in expression by the speech he had begun than if hard flint stood there, or a cliff of Parian marble. At the last she tore herself away, and, hostile to him, fled to the shadowy grove where Sychaeus, her husband in former times, responded to her suffering, and gave her love for love. fonte

Um obscuro relato do que existe após a morte

No seu texto sobre o porquê dos deuses demorarem a punir os malfeitores, mais um que faz parte da Moralia, Plutarco refere a história de um tal Tespésio de Soli, que após uma vida atribulada teria “morrido”, voltado à vida, e contado aos seus amigos o que tinha visto. Não irei, obviamente, tentar resumir este obscuro relato, muito menos conhecido que os de Homero, Platão ou Cícero, mas quem o quiser ler poderá fazê-lo, em tradução inglesa, aqui, no longo parágrafo 22.

Em tempo de crise, importa relembrar

No seu texto contra o empréstimo de dinheiro, Plutarco diz o seguinte:

this [o pedido de empréstimo de dinheiro] we do, not being compelled by poverty (for no usurer will lend a poor man money) but to gratify our prodigality. For if we would be content with such things as are necessary for human life, usurers would be no less rare in the world than Centaurs and Gorgons.
fonte

Quão mais simples e sublime seria, hoje, a vida se as pessoas, em vez de optarem, constantemente, por uma vida que não podem fazer, soubessem escutar as importantes palavras do passado, em muito semelhantes a estas!