A lenda da Espada do Condestável

A lenda da Espada do Condestável é uma de aquelas que parece ter sido muito conhecida em outros tempos, quando ainda se acreditava que havia um destino divino para Portugal. A ideia foi-se perdendo ao longo dos séculos, e com ela é provável que também se tenha perdido a fama de toda esta outrora famosa lenda*.

A lenda da Espada do Condestável

Conta-se que em dada altura da sua juventude Dom Nuno Álvares Pereira, mais conhecido entre nós como “O Condestável”, precisou de afiar uma das suas espadas na zona de Santarém. Para tal, dirigiu-se ao melhor espadeiro local, um tal Fernão Vaz, que lhe fez o serviço gratuitamente e até lhe melhorou imenso a espada, dizendo-lhe que quando se tornasse conde de Ourém lá lhe pagaria o que achasse apropriado. O cliente naturalmente que achou estas palavras um tanto ou quanto estranhas – recorde-se até que nessa altura o conde de Ourém era o famoso “Conde Andeiro”, que teve um papel importante nesse período da história nacional – mas não ligou muito mais a elas e foi à sua vida.

O tempo foi passando, e passou, até que Fernão Vaz caiu em desgraça. Foi acusado de crimes que não cometeu e até condenado à morte na sequência dos mesmos. Nesse momento, no maior de todos os desesperos, pediu então a ajuda do Condestável, tenha sido directamente ou com a ajuda da sua esposa (que até era uma ex-amada do herói, ou pelo menos assim reza a lenda). Dom Nuno Álvares Pereira, agora já conde de Ourém, como outrora lhe tinha sido profetizado, reconheceu aquele a quem tinha uma dívida antiga e, procurando ajudá-lo como um dia tinha ficado prometido, conseguiu obter-lhe um perdão por parte do rei de Portugal.

 

Esta lenda da Espada do Condestável, também conhecida como a do alfageme de Santarém (em virtude do papel de Fernão Vaz), é uma de muitas que nos leva à ideia geral de um império divino planeado para Portugal. O Condestável, Dom Nuno Álvares Pereira, passa aqui por uma profecia que acaba por cumprir-se, como aconteceu com muitas outras figuras nacionais – relembre-se, por exemplo, a lenda da Batalha de Ourique – o que poderá ter levado a uma ideia de que Deus estava sempre do lado dos Portugueses, ajudando-os em tudo o que podia para que se cumprisse o seu plano divino. E pareceu está-lo, na verdade, até à desgraça que teve lugar com Dom Sebastião, gerando algumas das mais famosas lendas da cultura portuguesa. Mas isso já são outras histórias…

 

 

*- É curioso que tenham existido, em finais do século XIX, algumas versões de toda esta história a dizerem que a espada em questão tinha mesmo poderes mágicos, dando sempre a vitória a quem a possuía.

Diogo Alves, o Assassino do Aqueduto das Águas Livres

Sobre este infame Diogo Alves, o Assassino do Aqueduto das Águas Livres, também conhecido na altura em que viveu como O Pancada, ele é hoje famoso essencialmente devido ao facto da sua cabeça ter sido estudada por múltiplos especialistas, em busca de uma explicação para as suas acções horrendas, e ter chegado bem preservada até aos nossos dias de hoje. Imagens que a mostram, que entretanto até se parecem ter tornado virais na internet, mostram algo deste género, em que a face do criminoso pode ser vista quase como ainda era em vida:

Diogo Alves, o Assassino do Aqueduto das Águas Livres

É provável que já conheçam as bases da sua história – ele foi o mais prolífico de todos os serial killers de Portugal, facilmente colocando na sombra as 33 mortes de Luísa de Jesus ao causar a morte de muitas mais pessoas. E como o fazia ele? Diz-se que este Assassino do Aqueduto das Águas Livres, essencialmente abordava as pessoas na parte superior do famoso aqueduto lisboeta e, depois de as assaltar e lhes roubar as suas posses, atirava-as daí abaixo, causando-lhes a morte (enquanto que também evitava possíveis testemunhos por parte das suas muitas vítimas, o que era bastante conveniente). Curiosamente ele nunca foi apanhado por esses crimes, que cometeu uma e outra vez, mas somente por ter morto a família de um médico, num local muito distinto de aquele que lhe trouxe a fama nacional (e, mais tarde, até internacional). Mas, mais do que recordarmos toda a sua história, por agora já suficientemente famosa, trazemos cá hoje é um pequeno filme sobre todo este episódio da história nacional. Datado de 1909, este filme (inacabado) recapitula parte da história de Diogo Alves e merece ser apresentado por cá por se tratar de um dos primeiros filmes da indústria cinematográfica nacional:

Um outro filme sobre o mesmo tema, esse já em forma completa e datado de 1911, pode também ser visto aqui, contando a história dos crimes deste Assassino do Aqueduto das Águas Livres numa sequência de alguns breves capítulos, nomeadamente os seguintes, tal como o próprio filme os apresenta:

Diogo mostra os Arcos ao “Beiço Rachado”
Uma das primeiras vítimas [que fez no local]
Único crime de que Diogo Alves se arrependeu, pelo motivo da criança se rir na ocasião em que era precipitada
Roubo e morte da Estanqueira
O encontro de Diogo com o Caseiro da Senhora Infanta
Diogo resolve ir esperar o Caseiro aos Arcos para o roubar
Combinação para o roubo em casa do Médico Andrade
O assalto a casa do Médico Andrade
Diogo com o Enterrador matam o criado do Médico Andrade
Diogo nega os crimes, a filha da Parreirinha acusa-o
Justiça feita [!]

É fácil constatar que ambos os filmes contam mais ou menos a mesma história. Claro que isso era difícil de evitar, tratando-se esta de uma trama baseada em factos verídicos, mas é curioso apercebermos-nos que mesmo após 50 anos do enforcamento do vilão – foi um dos últimos condenados à morte em Portugal*, em 1841, mas provavelmente um dos mais famosos da história nacional a sofrer esse derradeiro destino – a sua história ainda era bem conhecida entre os Portugueses, provavelmente porque foram sendo publicadas diversas obras e folhetos sobre a sua vida e os seus muitos e chocantes crimes**. Agora, se hoje já pouco se sabe sobre ela… pelo sim, pelo não, fomos ler diversos documentos da época sobre todo este caso e descobrimos que as coisas não foram tão simples como hoje se contam. Relatar toda a história deste criminoso fugiria dos nossos objectivos neste espaço, mas podemos aqui deixar cinco breves curiosidades sobre ela:

 

  1. Diogo Alves nem sempre foi um criminoso. Ele tinha uma vida relativamente boa, até que o seu caminho foi alterado pelo vício da bebida e pela influência de uma tal Gertrudes Maria, conhecida como “a Parreirinha”, com quem até chegou a viver. A “Estanqueira” mencionada no filme era, na verdade, a mulher que lhes alugou casa.
  2. Pouco se parece ter sabido sobre os crimes que tiveram lugar no Aqueduto, o que poderá ter contribuído para uma espécie de mitificação dos mesmos.
  3. Este criminoso não agia sozinho. Em dada altura juntou-se a uma quadrilha e cometeram bastantes crimes. Entre os seus companheiros contava-se Manuel Joaquim da Silva, conhecido sob a alcunha “Beiço Rachado”, a que o filme também fazia alusão.
  4. O mais famoso dos crimes que perpetraram foi o assalto e mortes causadas na casa do médico Pedro de Andrade, sita no número 36 da Rua do Alecrim, um evento que teve lugar na noite de 26 para 27 de Setembro de 1839.
  5. Ironicamente, os criminosos foram condenados porque a filha da “Parreirinha” testemunhou contra eles. Presume-se que não fosse um rebento deste famoso criminoso, o que até teria dado um desfecho demasiado hibrístico a toda a história, mas possivelmente de uma relação que ela tinha tido anteriormente. Manuel Joaquim e o criminoso aqui em questão foram condenados à morte, enquanto que a mãe da delatora foi desterrada (não sabemos o que foi feito da filha, mas dificilmente poderia ficar a viver com a mãe depois do que fez em tribunal).

 

Assim se compreende que Diogo Alves, o Assassino do Aqueduto das Águas Livres, não foi somente o perpetrador daqueles crimes que lhe trouxeram uma enorme fama, mas também cometeu muitos outros, tendo a sua condenação à morte sido bem merecida. Agora, o resto da sua história real deixamos para que outros a contem melhor nos nossos dias, até porque as nossas linhas sobre esta pequena curiosidade de hoje já vão demasiado longas…

 

*- Para quem tiver essa curiosidade adicional, o último condenado à morte em Portugal parece ter sido um tal José Joaquim Grande, que em 1846 foi enforcado em Lagos pelo crime de ter violado e morto a criada de um padrinho.

**- Numa nota mais pessoal, há alguns dias vimos um destes filmes com um grupo de idosos, o que até inspirou a escrita destas linhas. Durante o filme, quando o criminoso se prepara para atirar uma criança do topo do aqueduto, quase todos os visualizadores se mostraram chocados com o horrendo acto. Certamente que a audiência original terá sentido uma repulsa ainda maior!

A história da mulher que casou com um demónio

São muitas as lendas de Portugal que datam da Idade Média. Entre elas conta-se esta pequena história da mulher que casou com um demónio, que se encontra atestada em pelo menos um manuscrito alcobacense do século XIV. Entre muitas outras histórias presentes nesse chamado Horto do Esposo encontra-se então uma curiosa e breve trama, que aqui resumimos de uma forma sucinta:

A mulher que casou com um demónio no Horto do Esposo

Contava-se então que um demónio, tendo tomado a forma de um homem, serviu um homem muito rico. Fê-lo durante anos, até que este seu patrão, feliz com os serviços que lhe tinham sido prestados, decidiu dar-lhe a sua própria filha em casamento. Assim, inconscientemente e sem saber o que realmente fazia, fez da filha uma mulher que casou com um demónio, e deu-lhe até um extenso dote.

Durante algum tempo esta mulher e o demónio que com ela casou foram felizes, mas à medida que o tempo foi passando ela tornou-se cada vez mais louca e “brava” (é isso que lhe é chamado, no original), desrespeitando completamente o marido, desobedecendo-lhe e sujeitando-o a todo o tipo de desgraças. Às tantas, o demónio lá se fartou e pediu ao sogro que o deixasse partir para a sua terra, com as seguintes palavras:

Disse-lhe o sogro – E onde é a tua terra?

E respondeu o demónio – Não te quero esconder a verdade. Digo-te que a minha terra é o Inferno, e nunca no Inferno senti tanta repugnância como no ano que passei com esta mulher brava que me deste. E mais me apraz estar no Inferno que morar com ela.

Depois, o demónio abandonou o corpo do homem que até então ocupara, mas a história não ficou por aí. O que acaba por ser interessante, no entanto, é toda esta ideia de uma mulher que casou com um demónio, mas que também tinha um carácter tão medonho que os próprios habitantes do Inferno não conseguiam tolerá-la. É uma ideia presente em muitos outros instantes do Horto do Esposo, essa do carácter estereotipadamente negativo das mulheres, que aqui é levado a um extremo, apresentando o caso de uma mulher que viola tanto os princípios da época – deixe-se claro que ela é chamada brava não num sentido positivo (e.g. forte ou valente), mas em sentido de rude, selvagem, ou tempestuosa – que nem os próprios diabos eram capazes de a aturar.

 

Assim sendo, e para quem tiver essa curiosidade, a moral de toda esta história, no contexto da época em que ela foi posta por escrito, é simples – mulheres, respeitem os vossos maridos, porque nem mesmo os piores seres que se supunha existirem, os demónios do profundo Inferno, conseguem tolerar uma mulher incapaz de fazer o que lhe compete. Eram outros tempos…

A Verdadeira Lenda de São Vicente

A lenda de São Vicente é famosa em Portugal, e em particular na cidade de Lisboa, devido à ligação deste santo com a nossa capital. Na verdade, os momentos finais de toda a sua grande lenda até podem ser vistos no brasão da cidade:

A lenda de São Vicente e a cidade de Lisboa

Agora, se o brasão – com um navio e os dois corvos – ainda hoje é famoso, o que já poucos parecem saber é que quando toda a história deste santo é contada nos nossos dias, tende a sê-lo de uma forma incompleta, que faz perder um elemento muito significativo da trama. Portanto, hoje contamos cá a verdadeira lenda de São Vicente, na sua forma mais completa, para que todos os leitores a possam conhecer.

 

Conta-se então que este santo nasceu na cidade espanhola de Saragoça, em finais do século III da nossa era. Quando Diocleciano decidiu perseguir os Cristãos, este Vicente foi um dos muitos capturados pelos Romanos, mas por muitas torturas a que o sujeitassem ele recusou sempre abandonar a sua fé em Deus e no Cristianismo. Quando finalmente faleceu, vítima das mais brutais torturas (entre outras coisas, ele foi assado numa grelha), o corpo do mártir foi primeiro abandonado e depois atirado ao mar, flutuando durante dias até que deu à costa perto de Sagres, sendo sempre acompanhado e protegido por corvos. Foi construída uma capela a este santo no local (hoje perdida, tanto quanto foi possível apurar), e também ela foi sempre protegida por corvos. Depois, em finais do século XII e por ordem de Dom Afonso Henriques, as relíquias do santo foram trazidas para a capital de Portugal – e, como já é bem sabido, os corvos continuaram a acompanhar os restos de São Vicente, seguindo-os para a capital e gerando a curiosa imagem que ainda hoje pode ser vista no brasão da cidade – de facto, até é ele o padroeiro de Lisboa, e não São António, como muitos poderiam supor nos nossos dias!

 

Nesta sua forma mais completa do que é habitual, a lenda de S. Vicente permite-nos compreender que a ligação deste santo aos corvos já tinha vários séculos quando ele foi transportado para Lisboa. Mas de onde vem ela? Também podemos explicá-lo – a versão original da primeira parte de toda a lenda, que nos chegou num poema de Prudêncio (século IV), diz que quando o santo morreu, e para que os animais selvagens não pudessem destruir o corpo, um corvo – no singular, corvus – protegeu-o de todo o dano. Depois, ao longo dos séculos este pequeno papel foi crescendo, o número de animais foi sendo ampliado, e o seu papel original foi parcialmente esquecido – quando os restos do santo são trazidos para a cidade de Lisboa, ele é já puramente simbólico, até porque passados tantos séculos já não existiria muito para ser protegido.

 

Portanto, esta é uma daquelas lendas que ao longo dos séculos foi sendo sintetizada e reduzida apenas aos seus elementos mais fulcrais e relevantes para a presença desta figura na capital, estando as suas relíquias hoje – para quem estiver curioso, e segundo foi possível apurar – na Sé de Lisboa (e não no belo Mosteiro de São Vicente de Fora, como seria naturalmente de supor). Porém, recordar esta lenda como o fizemos aqui, com base na sua fonte literária original, é importante para que se possam compreender todos os elementos que a compõem, e em particular a razão pela qual os corvos – tipicamente dois, nas versões dos nossos dias – seguiram sempre os restos mortais do mártir…

 

P.S.- Uma outra curiosidade adicional, relativamente à localização do corpo deste mártir. Uma outra lenda, muito menos conhecida que as anteriores, diz que numa dada altura Afonso Henriques quis oferecer um braço deste santo para a Sé de Braga. Foi enviada uma mula de Lisboa para essa cidade, mas quando ela passou na zona do Porto estacou em frente à Sé da cidade invicta, e por muito que o tentassem ela recusou-se sempre a andar. Os fiéis depreenderam que por este “milagre” o santo dizia não querer ir para o local a que estava originalmente destinado, e então o braço de São Vicente ficou alojado no local próximo do qual esta mula um dia estacou…

A história da Lampreia de Ovos

Esta espécie de história da Lampreia de Ovos merece ser contada pelo facto de estar já quase totalmente perdida. Sim, claro que é comum ver-se este bolo nos supermercados e pastelarias do nosso país, mais frequentemente até na altura do Natal, mas de onde surgiu toda esta singular ideia de representar este estranho peixe numa versão dourada e feita com ovos?

A história da Lampreia de Ovos

Numa página “oficial” sobre doces tradicionais portugueses (que sempre seria mais fiável que um artigo da Wikipedia…), em relação à Lampreia de Portalegre – uma possível antecessora desta nova e mais famosa versão? – é dito que se “desconhece o que terá levado as freiras [de Santa Clara e/ou São Bernardo] a confeccionarem este bolo com uma forma tão pouco habitual e imitando um animal não existente na região de Portalegre.” Por isso, de onde vem a ideia? Procurámos, procurámos, procurámos, e… acabámos por formular duas possíveis teorias que poderão ajudar a explicar uma possível história deste doce.

 

Quem for ao norte de Portugal, mais precisamente à fronteira estabelecida pelo rio Minho, perto de Melgaço poderá encontrar uma localidade espanhola chamada Arbo, que na sua bandeira e brasão até tem uma lampreia dourada, uma sintetização dos peixes e do ouro que, anteriormente, existiam muito na região. A mesma cor dourada do peixe, puramente lendária, também podia ser explicada por se acreditar que na região as feiticeiras – ou as Mouras Encantadas – adoptavam essa forma e, movendo-os pela notória procura pelo vil metal, afogavam os pescadores locais, numa lenda que está atestada em inícios do século XX, mas poderá até ser muito anterior.

Não sabemos se a Lampreia de Ovos original era feita de massa-pão (como a de Portalegre), ou já era também toda de gemas, mas faz algum sentido que esta segunda forma do doce descenda da primeira, não só pela simplificação da receita, como pelo facto de não se parecer, de todo e mesmo nos nossos dias, com o próprio peixe, como se o seu criador nunca tivesse visto o respectivo animal. Por isso, mediante a forma original do doce – que parece desconhecer-se hoje – esta ligação a Melgaço e/ou Arbo poderia ser provada ou negada.

 

Outra opção é que, tratando-se este de um doce raro, tivesse sido feito originalmente com o nome de “lampreia” por esse se tratar de um peixe cujo consumo, na altura e segundo conseguimos apurar, era associado às classes mais altas – novamente, isso ajudaria a explicar a diferença significativa entre o verdadeiro peixe e a forma representada no doce, já que o simbolismo teria mais significado do que a própria representação correcta do animal.

Uma Lampreia de Ovos do século XIX

Esta potencial história da Lampreia de Ovos é, assim, bastante circunstancial, mas há que frisar que a informação que se tem sobre o nascimento e evolução deste doce conventual é muito limitada. Se o animal é característico e famoso no norte do nosso país, não sabemos se ele originalmente já era feito de ovos (o que o poderia ligar a uma origem em Melgaço e Arbo, já sob a forma dourada), ou tinha mesmo a forma do peixe (o que poderia indicar que quem o fez até conhecia o animal, ou pretendia apenas dar esse nome ao seu doce). Assim, talvez esta acabe por ser uma daquelas histórias que se perdeu ao longo do tempo, como a da igualmente natalícia razão por detrás da fava do bolo-rei