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Mitologia em Português

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As quatro figuras místicas dos quatro evangelistas - e seu significado

Há já alguns anos sentámo-nos com uma amiga na Igreja de São Roque, em Lisboa. Quem explorar bem o local poderá encontrar, nas colunas laterais dos dois lados deste templo, quatro figuras humanas, estando elas acompanhadas por uma águia, um anjo (ou homem), um touro e um leão.

Que as quatro figuras humanas são os quatro evangelistas - Mateus, Marcos, Lucas e João - é relativamente fácil de inferir por todo o contexto, mas a questão da nossa amiga era um pouco mais difícil - porquê estes animais, e como foram eles associados a cada um dos evangelistas?

Um Querubim

A primeira resposta não é muito difícil - quando o profeta Ezequiel viu os Querubins, definiu-os como tendo quatro asas e quatro caras distintas - águia, homem, touro e, finalmente, leão. Por isso, se estas eram as quatro formas que compunham a totalidade de um ser divino, faz algum sentido que a totalidade do cânone bíblico fosse associada ás mesmas quatro figuras.

 

A segunda resposta, no entanto, é bastante mais complexa, porque a associação dos quatro animais aos quatro evangelistas foi variando ao longo dos séculos e entre os diversos autores. Por exemplo, para Santo Ireneu a figura do "leão" era João, para Hipólito de Roma era Mateus e para São Jerónimo já era Marcos. Agora, mais do que dar aqui as suas justificações individuais, importa frisar o que todas elas tinham em comum - associavam uma característica metafórica de cada uma das quatro figuras a uma característica que os autores atribuíam aos próprios evangelistas, e.g. "Marcos é representado com o homem porque no seu evangelho Jesus nasce como um". Por isso, na verdade não há uma associação que se possa dizer que é a correcta, todas elas está abertas a debate.

 

Portanto, os quatro evangelistas estão associadas a quatro figuras místicas - águia, anjo (ou homem), touro e leão - porque essas mesmas quatro figuras constavam no Querubim de Ezequiel, mas os seus significados e associações variam bastante. Será que estes argumentos, que não foram apresentados na altura, teriam convencido a nossa amiga?!

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