Porque se diz de alguém traído que “é cornudo” ou “levou um par de chifres”?

Hoje em dia, quando um homem é traído por uma mulher, costuma dizer-se que esta lhe pôs um par de cornos (ou chifres), fê-lo cornudo, e outras metáforas de conteúdo semelhante. Contudo, se já muitos se parecem ter interrogado sobre a origem de esta expressão, normalmente quem decidir procurá-la pela internet encontra um conjunto de informações muito horizontais mas também muito pouco conclusivas – de facto, citando parte da conclusão do site das Ciberdúvidas em relação a uma questão semelhante, “não há certezas sobre a origem da expressão idiomática, que parece basear-se numa metáfora que remonta à Antiguidade e cuja motivação não nos parece hoje evidente.” Mas não concordamos com essa conclusão. Por isso, vamos então responder a esse pedido de informações de uma vez por todas…

Sobre a origem da expressão "pôr/levar um par de chifres" e cornudo

Na imagem acima pode ser vista a representação de um touro, com o seu evidente par de chifres. Ela tem quase 4000 anos, mas qualquer pessoa saberá reconhecê-la como esse animal, e nesta representação deve igualmente notar-se a presença de um orgão sexual de tamanho notável. Assim, na altura em que esta representação foi feita o touro era um símbolo das divindades e do seu enorme poder, destreza, fecundidade e coragem – por exemplo, referências extremamente antigas a “El”, que pode ser visto como o predecessor do nosso Deus, até o equiparavam a um touro, e num píthos do século VIII a.C., de que já cá falámos quando abordámos o tema da esposa de Deus, os entes divinos também podem ser vistos acompanhados por estes animais.

Os cornos do poder, símbolo de divindade e de força

Agora, se desde quase a Idade do Bronze que os touros – e os respectivos cornos – eram um símbolo de poder, força e de virilidade, pôr/levar um par de chifres podia e devia, originalmente, ser visto como um insulto na medida em que se pretendia dizer que essa pessoa, que ainda não os tinha, não possuía um conjunto de características (positivas) que se associavam ao bovino. O insulto original, em si mesmo, não passava tanto pela colocação dos próprios cornos num homem, mas por se aludir à ideia de que ele ainda não tinha essa famosa virilidade e, como tal, não conseguia satisfazer devidamente a sua companheira. Simplificando-se, na altura “ter cornos” era positivo, mas “levar cornos” implicava a ausência actual desse elemento positivo e, como tal, era algo negativo.

 

Mas então, como é que “ser cornudo” passou a ser um insulto? Não deveria, face ao dito acima, ser um elogio, pelos cornos se tratarem de um símbolo de diversos tipos de poder? Claro que sim, não fosse o facto de essa simbologia original, muito antiga, ter sido esquecida ao longo dos séculos. Quando, na Grécia Antiga, Artemídoro de Daldis refere o caso de um homem que tinha medo que uma futura esposa lhe “pusesse os cornos”, tornando-se prostituta, mas não é sequer completamente claro o que ele temia – se a traição, em si mesma; ou o facto de ela se tornar prostituta por não gostar do que tinha em casa. Contudo, o que sabemos é que os touros já não tinham, nessa cultura em específico, a mesma importância e significado de outros tempos anteriores (como pode ser visto no mito do rapto de Europa, em que o touro é uma mera transformação de Zeus, que o deus depois acaba por abandonar para consumar o seu desejo), pelo que é muito provável que já nem os Gregos da Antiguidade compreendessem bem o significado original da expressão que ainda utilizavam no seu dia-a-dia!

 

Resumindo e concluindo, originalmente “pôr um par de chifres” a alguém queria dizer que essa pessoa não tinha ainda a virilidade e pujança própria de um touro, elementos associados a tantas divindades antiquíssimas, mas ao longo dos tempos essa ideia inicial foi sendo esquecida e o próprio efeito – tornar-se “cornudo” – passou a confundir-se com a sua causa, perdendo-se a simbologia original e fazendo com que esse acto de levar um par de chifres se tornasse um símbolo de traição feminina, mais do que do poder sexual de quem os possuía. Entendido, de uma vez por todas?

Bandeira de Portugal – significado, origem e um segredo!

Na imagem abaixo podem ser vistos alguns dos passos da evolução da bandeira de Portugal (e não só!) até aos nossos dias. A actual está no canto inferior direito, como será óbvio para qualquer pessoa que tenha o mínimo dos mínimos de cultura geral, mas o que é interessante em tudo isto é o facto de, se forem colocadas assim, quase lado-a-lado, se poderem apurar alguns vectores comuns entre todas elas.

O significado da bandeira de Portugal

Por exemplo, a primeira de todas as bandeiras, a que está no canto superior esquerdo, é, nada mais, nada menos, que o escudo do Condado Portucalense. Depois, na seguinte, já do tempo de Afonso Henriques e da Batalha de Ourique, surgem uns círculos brancos, mas as razões por detrás dos mesmos não são totalmente claras, até porque o seu número foi variando ao longo do tempo, até se fixar em cinco no tempo de Dom João II, em finais do século XV.

A bandeira actual de Portugal

Depois, saltando alguns séculos no tempo, chegamos à bandeira actual, em que o verde parece significar a esperança do povo português e o vermelho o sangue derramado por todos aqueles que morreram em prol da nação. Esses são, de um modo geral, os elementos novos, a que se adicionou também a esfera armilar, de que já cá falámos antes. E depois, um pouco afastado do centro nesta bandeira de Portugal, surge então o escudo nacional, bastante semelhante ao dos séculos anteriores – recorde-se que até já aparecia no Arco da Rua Augusta. Mas qual é o significado dos seus elementos? Quando escolhemos a imagem acima para adornar este artigo, fizemo-lo por uma boa razão, para permitir ao leitor comparar as várias bandeiras e poder entender, com uma imagem que vale mil palavras, que alguns elementos foram mesmo sendo alterados ao longo dos séculos. Tendo, portanto, isso em mente, podemos assim estabelecer os seguintes significados:

 

  • Os sete castelos, que nem sempre foram esse número, parecem representar sete que foram conquistados pelo rei Dom Afonso III no Algarve, completando a reconquista cristã, mas não é certo de quais se tratam. Isto porque, se o seu número foi variando, também a identidade deles o terá sido.
  • Os cinco escudos, que se foram mantendo, é-nos dito que representam as cinco chagas de Jesus Cristo, por este ter aparecido a Afonso Henriques na Batalha de Ourique. Se a lenda é muito famosa no nosso país, há que notar que a bandeira do tempo desse rei ainda não tinha este elemento, só surgindo ele com Dom Sancho I, por razões entretanto esquecidas. Outros dizem que eles representam os cinco reis mouros derrotados pelo monarca na mesma batalha, o que leva ao mesmo problema.
  • E o que significam as cinco bolas brancas, ou “besantes”, em cada escudo? Na versão mais frequente, eles são as chagas de Cristo (e, portanto, os escudos só poderiam ser os cinco reis mouros, nessa interpretação). Contudo, a totalidade do seu número é de 25, dizendo-se que representam os 30 dinheiros pelos quais Judas vendeu Jesus Cristo, com os do meio a serem contados duas vezes…

 

Tudo isto poderá soar muito bem, relativamente ao significado e origem da Bandeira de Portugal, até que se pense um pouco em toda esta simbologia, que esconde um segredo. Notavelmente, porquê contar os besantes do meio duas vezes? Existem teorias, claro está, mas na explicação mais interessante que encontrámos é dito que… eles não devem ser contados duas vezes, de todo, mas que o número de 30 é atingido pelo facto de deverem ser incluídos nessa conta também os cinco escudos, num total de 5×5 + 5 = 30, os tais trinta dinheiros recebidos por Judas. Outra opinião, menos interessante mas igualmente válida, diz que os besantes do meio são contabilizados duas vezes porque ao fazermos o sinal da cruz também tocamos nessa parte central duas vezes. São explicações interessantes, claro, mas mais importante é mesmo o facto de permitirem que não se diga “os do meio contam-se duas vezes só porque sim”, o que destoa demasiado numa bandeira de Portugal tão repleta de simbologia.

 

Assim se explica a origem e significado da bandeira de Portugal, mas não sem uma última curiosidade, que suscitou algumas questões a quem mostrámos inicialmente estas linhas. Quem voltar à primeira imagem acima e prestar atenção poderá ver na segunda linha uma bandeira que apresenta o escudo de Portugal com uns ramos verdes por detrás. Para quem o quiser saber, era a Bandeira do Domínio Espanhol, após o falecimento de Dom Sebastião, que tem representados ramos de oliveira para simbolizar o que se supunha ser a grande paz ibérica após tantos anos de confrontos entre os dois países!

Sobre o mil em algarismo romano

Se já cá falámos de alguns algarismos romanos, nomeadamente o debate entre IV e IIII, hoje contamos uma história bem menos vulgar, a do mil em algarismo romano. Sim, ele escreve-se “M”, como é provável que todos os leitores já saibam, mas se os números – sejam eles os dos Romanos ou Árabes – nasceram pela necessidade de se contabilizar algo, em que circunstâncias é que os seus criadores necessitavam de contar até um número tão elevado? Até convidamos possíveis leitores a pensarem nisso – quando foi a última vez que contaram até mil?!

O mil em algarismo romano

De facto, o mil, enquanto número, é raramente atingível nas nossas vidas diárias, excepto quando algum brincalhão, com óbvio gozo, nos insta a contarmos até esse número. Assim, o que aconteceu entre os Romanos é que eles raramente parecem ter sentido a necessidade de o utilizar, excepto para contabilizarem distâncias longas. Se hoje dizemos que este ou aquele local estão a X Km de distância, no tempo dos Romanos miliários como o acima também indicavam distâncias, mas faziam-no com base em “M. P.”, que não significa mais do que “mil passos” dos legionários que contaram essa distância. Okay, não era propriamente uma ciência muito exacta, haviam algumas distâncias de mil passos muito maiores que outras, mas a ideia funcionava e cumpria o seu objectivo.

 

Além disso, essa contagem das distâncias em “M. P.” teve uma consequência adicional, que foi o de se passar a chamar M, para mille, ao próprio número. Assim o usamos, assim obtemos o nosso mil em algarismo romano, mas nem sempre funcionou assim – antes desse tempo, o mesmo número também podia ser representado como o um (“I”) com um traço perpendicular por cima, como que a dizer “um multiplicado por mil”. Ou seja, se alguém quisesse representar um número como “2021”, poderia fazê-lo como MMXXI ou IIXXI, mas neste último caso os dois primeiros algarismos teriam de ter um traço contínuo horizontal sobre a sua posição, para indicar a sua multiplicação por mil; neste caso específico nem seria muito difícil distingui-los sem esse elemento, mas caso contrário os números 2 e 1001 poderiam ter uma representação semelhante como “II”, o que seria muito pouco claro para quem os fosse ler…

 

Portanto, o mil em algarismo romano é hoje representado como “M”, numa designação que surgiu dos “mil passos” que os legionários romanos contavam nas muitas distâncias que percorriam, mas nem sempre assim o foi…

Quem são o Casal Mistério? Hoje revelamos a verdade!

Hoje apresentamos um tema mais ligado aos nossos dias – Quem são o Casal Mistério? É altura de se divulgar a verdade, até porque as pessoas têm todo o direito do mundo em saber o que se esconde por detrás do que consomem, ainda para mais quando há uma tentativa muito continuada de lhes enfiar determinados conteúdos promocionais pela goela abaixo. Caso contrário, seria o mesmo que dizermos muito bem de determinados livros só porque fomos pagos para tal, algo que nunca aconteceu aqui e nem deixaríamos que acontecesse. Contudo, convém alertar que esta será uma publicação longa, pela necessidade de explicar todos os passos que conduziram às informações em questão – quem preferir algo mais rápido, basta saltar para o parágrafo final, que começa com “Em suma”…

Quem são o Casal Mistério?

Assim sendo, para falarmos de quem são o Casal Mistério, volte-se um pouco atrás no tempo. Quando escrevemos sobre a censura no Sapo Blogs, uma das coisas mais fascinantes que encontrámos foi uma referência a uns certos “critérios editoriais” de natureza muito vaga. Sendo então incapazes de os obter directamente, estabelecemos uma parceria com uma pessoa que percebe de programação informática e ele criou uma pequena aplicação que vai registando as publicações publicitadas pela plataforma do Sapo Blogs. Isso deu-nos um conjunto de dados muitíssimo interessantes, já que nos permitem inferir aqueles tais “critérios editoriais” – que vão desde o facto de uma determinada página ter tido oito publicações distintas promovidas num só mês; passando pelo facto de publicações sobre o Sporting serem mais promovidas que as dos restantes clubes de futebol; ou que publicações que insultam uma minoria dos leitores são vistas como dignas de serem promovidas; e até a existência de uma estranha promoção ocasional de conteúdos de natureza puramente comercial (ver abaixo); entre muitas outras curiosidades…

Promoção de promoção de marca de roupa no Sapo Blogs

Onde entra então o Casal Mistério em tudo isto? No último mês essa página foi promovida diversas vezes, sempre com receitas culinárias, e respectivas fotografias, que os autores admitiram terem retirado de espaços estrangeiros. Se, do ponto de vista ético, isso nada tem de ilícito (porque eles dizem de onde retiraram esses conteúdos), também contrasta significativamente com os tais “critérios editoriais” dos blogs do Sapo.

E isto intrigou-nos demasiado. Ou as tais regras andam mesmo de férias – mas só para alguns… – ou havia aqui o proverbial “sapo escondido com a língua de fora”. Se o espaço em questão tem um ficheiro Ads.txt com dados semelhantes aos do portal Sapo, é porque os dois estão de alguma forma ligados. Mas, ao mesmíssimo tempo, quem verificar a página de parcerias da marca Sapo, disponível aqui, vê que muitos outros parceiros aparecem lá… mas este não. Ou seja, o blog em questão tem algumas características impossíveis sem uma parceria com o Sapo, mas os dois não parecem ser parceiros. “Que estranho”!

Quem escreve afinal esse espaço?

Continue-se. O espaço deste Casal Mistério, apesar de estar indisputavelmente associado ao Sapo Blogs, tem também uma loja online própria. Infelizmente, a mesma não tem um ficheiro Ads.txt associado (o que nos teria poupado imenso tempo), mas por motivos legais tem de ter um NIF, morada, contactos, etc. E então fomos obtê-los, porque eles estão disponíveis ao público de uma forma legal.

 

Depois, procurando saber quem são o Casal Mistério, fomos então seguindo essas informações e chegámos a dois nomes (curiosamente casados com separação de bens), bem como a um apartado e uma empresa, todos eles sediados no distrito de Lisboa (a falta de informação mais precisa é aqui intencional, para evitarmos meter-nos em chatices). A empresa foi constituída em Março de 2015 e dedica-se à “criação, edição, produção e gestão de sites de crítica de culinária, restaurantes, hotéis, bares e bebidas. (…) Produção de conteúdos para todo o tipo de publicações digitais e não digitais. (…)”, entre outras coisas. O que não teria nada de especial, qualquer pessoa nos poderia responder “ah, foi o tal casal que abriu essa empresa, como é óbvio”, não fosse o facto muitíssimo interessante de termos encontrado uma pessoa que trabalhou lá, mais especificamente no blog em questão, tendo até feito “content management” para esse espaço:

Colaboradora do Casal Mistério

Explique-se, para quem não perceber muito destas coisas – supostamente, uma pessoa externa a estes cônjuges fez “gestão de redes sociais” e “produção de conteúdos” – é mesmo assim que ela lhe chama, no seu CV – para uma empresa directamente associada a esta marca, enquanto que o respectivo blog apregoa muito abertamente que “O Casal Mistério não revela a sua identidade a ninguém (…) [e] é o autor de todos os textos publicados no blog. (…) Os textos não são mostrados previamente a ninguém e não sofrem alterações de ninguém. (…)” – e isto quando, na verdade, uma pessoa externa até já fez um estágio a escrever esses mesmos textos!

 

Para quem ainda não veja nada de errado nisto, a mesma página do blog, de título “esclarecimento: as fraudes à volta do casal mistério”, diz também que o espaço “não faz publicidade a restaurantes ou hotéis. Acreditamos que só a total independência em relação às marcas de restaurantes e hotéis nos permite fazer uma crítica absolutamente isenta, honesta e genuína (…) “… mas, apesar dessa “promessa”, o espaço também publica, ao mesmíssimo tempo, temas como o reproduzido abaixo, publicitando espaços hoteleiros aos quais até admite explicitamente que ainda não foi, o que é, sem qualquer dúvida, “muito isento”:

Casal Mistério a publicitar um hotel no Guicho

Mas também não vêem nada de errado nisto? Tente-se então outra opção – quem perceber de Letras a um nível académico mais elevado saberá que existem formas internas de verificar se dois textos foram escritos por uma mesma pessoa. Isto acontece porque cada pessoa escreve da sua forma particular, com certas densidades de palavras, com alguns “vícios” e hábitos, etc. No espaço do Casal Mistério existem indicações internas que parecem comprovar uma autoria do espaço por um número de intervenientes que é superior a dois – e em algumas publicações até notavelmente superior a três!

 

Se isto continua sem vos cheirar a esturro, pergunte-se – será que o “Pedro”, o tal senhor do Sapo Blogs de que falámos anteriormente, sabe de toda esta prática um tanto ou quanto enganadora dos leitores? De acordo com a informação do próprio Sapo Blogs sobre potenciais parcerias, “as receitas geradas por essa publicidade [derivada de uma parceria] são depois repartidas com o autor do blog”. Se existiu essa tal repartição de fundos, ou ela foi feita ilicitamente, ou teve de existir uma declaração às Finanças, com dados legais e um determinado NIF. Espera-se, nesse sentido, que ninguém queira insultar a inteligência dos leitores e dizer que ninguém sabia que nada de estranho se passava…

 

Mas, caso alguém até queira mesmo achar que toda a gente está sempre muito distraída e com a cabeça na lua, quando o espaço começou, em finais de 2013, fê-lo sem uma introdução real – uma prática comum nos espaços pessoais – e com um esquema de conteúdos já totalmente formado, como é comum em espaços que foram muito pensados, planeados e desenvolvidos antecipadamente.

Nesse momento, o primeiro comentador da primeira publicação do Casal Mistério – e, na altura, o único durante uma semana de publicações contínuas – até foi o tal “Pedro” (relembre-se que ele “só” é o tal colaborador do Sapo Blogs que agora escolhe os espaços que são promovidos), que então se referiu ao primeiro tema publicado como… vejam por vocês mesmos:

Comentário de Pedro Neves

Ou seja, tendo nessa altura ainda menos de cinco publicações, o espaço já estava destinado ao sucesso e com o apoio – “completamente imparcial”, claro está – de quem define o que vai sendo promovido.

 

Depois, em 2019, aquando de uma alteração gráfica significativa do espaço, os autores admitiram explicitamente que “a implementação [do novo ‘look’] é da responsabilidade do incansável Pedro Neves, do Sapo Blogs, que coordenou todo o processo e, mais uma vez, teve uma paciência de santo para nos aturar“, dando a perceber que já colaboraram juntos e que até se conhecem bastante bem.

Por isso, relembrando então uma expressão famosa da Antiguidade, “nos amigos tudo em comum” (amicorum communia omnia), naquela prepotência tão comum em terras de Portugal. Nesse seguimento, torna-se evidente e muito natural que esse espaço seja promovido de forma repetida e acima de qualquer regra estabelecida, e, num sentido muito jocoso, temos até alguma dificuldade em duvidar que umas garrafas de um azeite recém-promovido nesse espaço não passem ocasionalmente de mão em mão… numa daquelas amizades tão desinteressadas e puras como a de Carlos Santos Silva por José Sócrates, claro está!

Azeite do Casal Mistério

Em suma, quem são o Casal Mistério? Não podemos dizer aqui os seus nomes, mas podemos colocar a nossa melhor resposta da seguinte forma – se quiserem acreditar que os autores deste espaço e de um ou outro livro são, e sempre foram, um certo casal misterioso (e quem não adora um bom mistério?!), como explicam que eles tenham sido apoiados pelos responsáveis do Sapo Blogs desde a primeira publicação; que façam parte do portal do Sapo mas não apareçam na página de parcerias; que tenham associada uma empresa em que já trabalhou pelo menos uma pessoa a fazer produção de conteúdos para o blog; que promovam espaços e eventos aos quais nunca foram; que provas internas das suas publicações denotem uma autoria múltipla mas superior a dois intervenientes; e que uma mera cópia de receitas de locais estrangeiros seja considerada digna de ser repetidamente promovida pelo portal português? Para bom entendedor meia palavra basta, e agora só é mesmo enganado quem quer sê-lo…

 

 

P.S.- E depois existem coisas como estas, em que o Sapo é literalmente pago para publicitar marcas externas por intermédio do tal Casal Mistério. Surpreendentemente “isento e acima de qualquer mais pequena suspeita”, claro está!

Casal Mistério, um produto Sapo!

Quem foi Artur do Algarve?

Há alguns dias, enquanto passávamos os nossos olhos por uma qualquer obra literária, encontrámos algo de desconhecido. Ao lado dos heróis de cavalaria do costume – os Amadis, os Palmeirins e os Quixotes, entre tantos outros – figurava o misterioso nome de um tal Artur do Algarve. Pelo contexto inferiu-se que se tratasse de um outro herói de romances de cavalaria, mas… na verdade, quem foi ele? A questão teve de nos fascinar, não só porque o seu nome conjura a ideia de um famoso rei das histórias medievais, da cidade de Avalon e de tantas outras histórias, mas porque não existem muitos heróis de cavalaria associados directamente ao nosso país.

Um possível Artur do Algarve?

Partimos então em busca dele e acabámos por encontrá-lo numa obra do século XVIII chamada La Historia de los muy nobles y valientes cavalleros Oliveros de Castilla y Artus de Algarve, da autoria de Pedro de la Floresta. É uma obra que não se destaca em nada do que constitui o seu género literário. Como episódios minimamente notáveis, podemos apenas destacar o facto de Oliveros, antes de receber a mão da princesa que ganhou num torneiro, ter pedido ao rei para cortar a carne para a sua amada durante um ano (e numa dada altura, ao trinchar uma ave até se corta num dedo…); e que a mesma personagem mata os seus dois filhos para dar o sangue dos mesmos a beber ao seu irmão, curando-o de uma enorme maleita (não se preocupem, eles são trazidos de volta à vida por milagre de Deus). Tudo o resto é aborrecimento, quando os episódios até se seguem uns aos outros sem que exista o mais mínimo interesse – a obra chega até ao absurdo de apenas dar nome a meia dúzia de personagens (resumindo todas as outras em simples “reis”, “cavaleiros”, “princesas” e “rainhas”), e de resumir todos os locais visitados pelo seu país…

 

E onde entra o tal Artur do Algarve? Ele é filho da segunda mulher do rei de Castela, uma tal “Rainha do Algarve”, por um pai desconhecido. É a grande personagem secundária da obra, que parte em busca de Oliveros quando este desaparece e uma vasilha de água que deixou para trás se tinge de sangue, naquele que é o maior exemplo de magia presente em toda a obra. É, igualmente, uma personagem muito pouco notável, cuja grande característica definidora é somente o facto de, por razões nada claras, ser fisicamente quase igual ao herói. No caminho das suas aventuras até derrota um leão perdido por terras de Portugal, seguindo-se depois uma luta com o que parece ter sido uma espécie de hipogrifo, mas fora isso ele não faz nada de muito notável, acabando por casar com a filha de Oliveros (recorde-se que não eram mesmo irmãos de sangue, mas não deixa de soar estranho).

 

Assim, este Artur do Algarve é, pura e simplesmente, uma personagem secundária de um romance de cavalaria medíocre, mil vezes inferior ao herói e monarca que lhe deu nome. O autor da obra, esse tal Pedro de la Floresta, não parece ter publicado mais nada com o seu nome, e até se compreende bem o porquê, dada a qualidade desta composição. Por isso, se por mero acaso encontrarem uma qualquer cópia desta obra, dêem-na a um inimigo de quem não gostem mesmo nada.