A origem do descanso semanal ao domingo

Ainda existe, nos nossos dias, uma espécie de tradição de descanso semanal ao domingo. Talvez já não seja tão prevalente como há algumas décadas atrás, mas continua a existir. E isso poderá, naturalmente, levar-nos a perguntar de onde vem toda essa ideia de um dia exclusivamente para nosso descanso. Curiosos?

Um calendário sem descanso semanal ao domingo

Essencialmente, acredita-se que o descanso semanal ao domingo nasceu a 7 de Março de 321 d.C., altura em que o Imperador Constantino decretou o seguinte, que ainda hoje pode ser lido no Codex de Justiniano:

Omnes iudices urbanaeque plebes et artium officia cunctarum venerabili die solis quiescant.

Esta lei continuava deixando uma excepção – que omitimos aqui – para aqueles que trabalhavam nos campos, que poderiam e deveriam aproveitar o domingo se o tempo fosse bom para os seus trabalhos, mas ela diz é que os magistrados, as pessoas da cidade e os outros trabalhadores manuais deveriam respeitar o die solis com o seu descanso. O que é curioso é que este período de descanso semanal ao domingo foi instituído sem qualquer referência pagã (recorde-se que Constantino se tornou cristão, pelo menos em espírito, em 312 d.C.) – o die solis não se refere a uma qualquer divindade associada ao sol, mas ao nome que era dado a este dia da semana entre os Romanos, i.e. o dies solis, tal como a segunda-feira era o dies lunae ou a quinta-feira era conhecida sob o nome de dies jovis.

 

Depois, por influência do Cristianismo, esta ideia foi-se popularizando em todo o Império Romano e acabou por ir transcendendo os séculos, tornando-se religiosa, i.e. as pessoas tinham esse descanso semanal ao domingo para que pudessem ir à missa ou, de alguma outra forma, celebrassem toda a obra de Deus. Mas agora, que foi perdendo muito desse seu simbolismo religioso, este mesmo dia da semana parece estar a tornar-se apenas um dos sete, com uma ligação cada vez mais rara ao dies solis dos Romanos… e é provável que todos fiquemos a perder com isso!

Andreas Bichel e o espelho mágico

Andreas Bichel nasceu na Bavária, na Alemanha, no ano de 1760. Viria a ser enforcado 49 anos mais tarde, em virtude de ter morto duas mulheres, mas suspeita-se que até possa ter cometido muitos outros crimes da mesma natureza. Isto pouco ou nada teria digno de nota, não fosse o facto de entre os envolvidos em toda esta história se contar um suposto espelho mágico!

O espelho mágico de Andreas Bichel

Bem, na verdade não sabemos se o espelho mágico existia, sequer. Ou se, a existir, tinha na verdade os poderes que lhe eram atribuídos. O que sabemos, isso sim, é que numa dada altura da sua vida Andreas Bichel decidiu envolver-se nas artes de previsão do futuro. Depois, veio a dizer a uma jovem que tinha em sua posse um espelho mágico, capaz de lhe mostrar a identidade do homem com quem ela acabaria por casar. Um pouco incrédula, mas naturalmente fascinada (e que mulher solteira e desejosa por amor não o ficaria?!), a jovem pediu-lhe então essa revelação.

Andreas Bichel foi então buscar “algo” e colocou-o numa mesa. Disse à jovem para se sentar, e disse-lhe igualmente que teria de a amarrar, para que ela, mesmo que acidentalmente, não se metesse em perigo ao interferir no suposto feitiço. E depois, com esta jovem presa e sem que o conseguisse ver, atacou-a pelas costas, matou-a, e vendeu o seu vestido. Mais tarde, voltaria a fazer o mesmo a uma segunda mulher (confirmada), o que levaria à sua prisão, mas… face a toda esta história, não podemos deixar de nos interrogar quantas mais terão caído na esparrela.

 

Não sabemos, repita-se, se o espelho mágico existia mesmo, ou se Andreas Bichel até possuía alguma espécie de espelho, mágico ou não. Mas pelo menos duas jovens acreditaram que sim, que tudo isto era possível, e isso levou-as às suas mortes, quando apenas procuravam o amor. Por isso, esta é uma história um tanto ou quanto triste, mas que diz muito sobre a credulidade humana nos poderes do oculto. Pense-se nisso – a ter lugar nos dias de hoje, quantas pessoas desapaixonadas caíriam no mesmo truque? Provavelmente mais do que pensamos…

A mitologia por detrás dos Pokémons

Já cá referimos anteriormente que existe uma mitologia por detrás da criação dos Pokémons. Falámos até do exemplo concreto do mito da Magikarp, que tem a sua origem na China, mas o que dizer das restantes criaturas da série? São agora já quase 900, e gabamos a paciência de quem conseguir dizer o nome de todas elas (ou sequer reconhecer as suas formas individuais), pelo que não nos é possível ir estudar a origem de todas elas. No entanto, podemos falar das clássicas, aquelas primeiras 151 criaturas que ainda são as mais conhecidas. Refira-se, portanto, alguma da mitologia por detrás dos Pokémons de primeira geração:

Para pensar na mitologia dos Pokemons

  • Charmander, Charmeleon, Charizard – baseados nos dragões ocidentais. Porém, a sua cauda reluzente, sempre em fogo, poderá relembrar-nos a Salamandra, uma criatura dos bestiários que era capaz de viver nesse elemento sem se magoar.
  • Clefairy, Clefable – naturalmente baseadas nas fadas das histórias. A segunda delas até tem asinhas!
  • Vulpix, Ninetales – trata-se da raposa das noves caudas do folclore japonês.
  • Oddish, Gloom, Vileplume – baseados na espécie de flores rafflesia arnoldii, que é das maiores do mundo e cheira bastante mal.
  • Meowth, Persian – têm algumas semelhanças com o Maneki-neko do Japão, um pequeno gato a dar a pata que até pode ser visto em algumas lojas em Portugal, e que supostamente dá sorte a quem o tiver.
  • Growlithe, Arcanine – potencialmente baseados nas criaturas mitológicas, um misto de cão e leão, que podem ser vistas à entrada de muitos templos orientais.
  • Ponyta, Rapidash – a segunda destas criaturas tem por base a figura do Unicórnio.
  • Slowpoke, Slowbro – a segunda poderá, também, basear-se na lenda japonesa de uma criatura chamada Sazae-oni, que é um caracol do mar que, tendo chegado aos 30 anos, ganha poderes místicos.
  • Farfetch’d – derivado de uma expressão japonesa, “um pato a aparecer com um alho francês”, que significa algo de muito conveniente.
  • Grimer, Muk – o primeiro deles baseia-se na lenda de uma criatura japonesa conhecida como Doratabo, que é um espírito do dono de um campo de arroz que decide voltar ao mundo dos vivos, num misto de carne e de lama, para se vingar de todos aqueles que não têm cuidado do seu antigo campo de cultivo.
  • Drowzee, Hypno – o primeiro é baseado na lenda do Baku.
  • Lickitung – possivelmente baseado na lenda de Akaname, uma criatura que lambe a sujidade existente nas casas de banho. Não para as limpar, somente porque gosta do sabor!
  • Magikarp, Gyarados – já cá falado anteriormente.
  • Lapras – baseado no Monstro de Loch Ness, que dispensa grandes apresentações.

 

Como é fácil compreender por esta lista sucinta, existe mesmo uma mitologia por detrás dos Pokémons, na medida que os criadores destas criaturas ficcionais se basearem, em alguns casos, em criaturas mitológicas e lendárias de todo o mundo para criar os seus bonecos, dando um espírito renovado a ideias que em alguns casos já têm vários séculos. É uma ideia interessante, e que provavelmente terá contribuído para a popularidade de toda esta série de videojogos!

Promoções Continente, um enorme mito urbano

Hoje falamos das promoções Continente, um famoso mito urbano dos nossos dias de hoje. Nesse sentido, a maior parte das pessoas tende a acreditar que os grandes hipermercados fazem promoções verdadeiras; eles, supostamente e segundo se acredita, compram os produtos a um dado preço, adicionam-lhes uma determinada margem de lucro (que tipicamente costuma ir até 20%), e depois – crê o consumidor comum – existem períodos em que, por uma qualquer razão, lá decidem ser simpáticos com o cliente e baixar essa sua margem de lucro, vendendo um produto a um preço mais barato do que é habitual. Até aqui tudo bem, isto nada teria de mal (bem pelo contrário), não fosse o facto de lojas como o Continente Online estarem a mentir descaradamente aos seus clientes. Vejamos aqui um exemplo bem real deste problema, com que nos deparámos há alguns dias:

Um exemplo de Promoções Continente

Na parte superior da imagem pode ser visto um exemplo de promoções Continente, em que, através de um desconto directo anunciado por eles, os clientes são informados que esta sapateira recheada custava originalmente 7,99€, mas que com um belíssimo desconto de 26% fica só a 5,89€.

Agora, relembre-se que nenhuma loja gosta de perder dinheiro. Nenhuma loja iria vender um produto se não tivesse um cêntimo que fosse a ganhar com isso. Por isso, na parte inferior da imagem podem ser vistos os preços do mesmíssimo produto em três outras lojas do mesmo concelho nacional, para o mesmo período de tempo. Colocados assim, lado a lado, é-nos revelada uma verdade muito inconveniente – o Aldi vendeu (temporariamente) este produto a 5,99€ mas sem qualquer desconto, ou seja, o preço a que o compraram, mais a margem de lucro que essa cadeia de supermercados lhe adicionou, é desse valor específico. Portanto, se forem ao Continente comprar esse produto, estão normalmente a pagar uma margem de lucro de pelo menos 26%, mas eles anunciam essa promoção para encher o olho, sem informar as pessoas que o desconto real, face ao preço de mercado, é de somente 2%. Nada mais, nada menos, que dez cêntimos – grande exemplo de promoções Continente, não é?!

 

Não iremos aqui falar da concertação de preços mais que evidente nas imagens acima, mas existe uma razão pela qual o hipermercado Continente é vulgarmente considerado o mais caro em testes comparativos de Portugal. Isto porque as promoções deste supermercado, como de outros, são um enorme mito urbano dos nossos dias, de que só duvidará quem nunca tiver feito uma comparação desinteressada dos preços de produtos muito específicos, como o que fizemos aqui. E esta, hem?!

O mistério do Flautista de Hamelin

A história do Flautista de Hamelin é provavelmente uma daquelas de que todos ouvimos falar quando éramos mais novos. Aparece em incontáveis livros, sob a forma de um conto ou lenda, mas independentemente do que lhe quisermos chamar por detrás dela esconde-se um verdadeiro e gigantesco mistério, que funde ficção com realidade. Mas já lá iremos, por agora resumimos aqui a versão mais famosa de toda a trama:

O Flautista de Hamelin

Há muitos, muitos anos atrás a cidade alemã de Hamelin estava a sofrer uma enorme praga de ratos. Um dia, os seus habitantes foram visitados por um homem misterioso em roupas coloridas, que se dispôs a resolver a praga que afectava a cidade a troco de algum dinheiro. E então, os cidadãos de Hamelin, felizes com a proposta, depressa a aceitaram, e o homem que viria a ficar conhecido como o Flautista de Hamelin rapidamente resolveu o problema – através do som da sua música de flauta atraiu todos os ratos para um dado local e, conduzindo-os depois para um rio, afogou-os a todos.

O problema estava resolvido, mas quando o honesto trabalhador voltou à cidade e pediu o dinheiro que lhe era devido, os habitantes recusaram dá-lo. Por três vezes insistiu no que era dele por direito, e por três lhe recusaram o que pedia justamente. Então, tocando novamente a sua flauta, desta vez o estranho herói atraiu [130?] crianças para fora da cidade e elas nunca mais voltaram a ser vistas.

 

Esta poderia ser uma história como tantas outras, de flautas mágicas e homens misteriosos que resolvem problemas mundanos com recurso a um qualquer deus ex machina, mas dizem as crónicas que ela efectivamente tomou lugar no dia 26 de Junho de 1284, altura em que um homem que tocava flauta levou as crianças para um monte próximo e, depois, todos eles desapareceram sem deixar qualquer espécie de rasto (a sequência aos ratos parece ser mais tardia). Se isto não for suficientemente intrigante, as crónicas da cidade de Hamelin contaram, durante algum tempo, a passagem dos anos com base neste evento, e.g. “faz agora 32 anos que as nossas crianças desapareceram”. E, se também isto não vos tornar curiosos por mais, existe uma rua nessa cidade, chamada então Bungelosenstrasse, em que a música continua proibida, supostamente porque foi a rua que o Flautista de Hamelin tomou com as crianças, e onde elas foram vistas pela última vez.

 

Face a estas provas, acreditando então que esta história tem um fundo de verdade, o que sabemos sobre ela? O relato completo mais antigo que ainda temos, presente no Manuscrito de Lueneburg (de meados do século XV), diz apenas que a 26 de Junho de 1284 130 crianças foram levadas por “um tocador de flauta vestido com muitas cores”, e que desapareceram para o interior de um monte cuja localização é hoje desconhecida. Só isso. O que lhes aconteceu continua a ser completamente desconhecido até aos nossos dias, um que não pode deixar de nos fascinar – o que acham que aconteceu ao misterioso viajante, que ficou conhecido como Flautista de Hamelin, e às crianças que o seguiram? Alguém tem alguma opinião que gostasse de partilhar, ou alguma ideia do que se poderá esconder por detrás deste estranho mistério?