Porque são as vacas sagradas para os Indianos?

O facto de as vacas serem sagradas entre os Indianos é uma daquelas ideias que não suscitam quaisquer dúvidas, porque toda a gente parece saber isso. No entanto, o que poucos parecem saber, na nossa cultura ocidental, é o porquê das vacas serem consideradas como sagradas na cultura indiana. Podemos explicá-lo hoje.

Uma vaca na Índia

De uma forma simplificada, na Índia a vaca é vista como um animal sagrado em virtude do facto de se considerar que ela nos dá muito mais a nós do que nós lhe damos a ela em troca. Nesse contexto, magoar – ou até comer – uma vaca parece representar algo de completamente absurdo, porque seria o mesmo que ter em casa uma proverbial “galinha dos ovos de ouro” e, em detrimento de cuidar bem dela, comê-la ou tratá-la mal. Tenha-se em conta que as vacas não são veneradas na Índia como se de deusas se tratassem, essa é uma ideia incorrecta, são é muito respeitadas por esses seus dons que fornecem a toda a humanidade, e que são muito frequentemente reaproveitados na cultura indiana. Esta ideia é até particularmente clara numa obra de histórias indianas chamada Baital Pachisi, i.e. Vinte Cinco [Histórias] de Baital. Numa dessas tais 25 histórias (quase sempre amorosas) contidas na obra, um rajá, um monarca local, deixa de respeitar os deuses e é-lhe então dito o seguinte:

(…) [Os deuses] desceram à terra de várias formas; mas uma vaca é superior a todos eles, pois não sente raiva, nem inimizade; não fica bêbada; não sente fúria, avareza ou afecto excessivo; dá protecção a todos; e tanto ela como os seus filhos reagem de forma bondosa para com todos os animais da terra; e, por isso, tanto os deuses como os sábios vêem a vaca como digna de respeito.

 

Respondendo então, de uma forma muito sucinta, à pergunta que dá título a esta publicação, as vacas são sagradas na Índia essencialmente porque são vistas nelas um conjunto de características que seriam prolíficas a todos os seres humanos, não só pela sua mansidão mas também porque nos dão – mesmo na cultura ocidental – um conjunto de produtos sem os quais a vida humana dificilmente seria a mesma. Brincando até um pouco com a questão, sem a ajuda preciosa das vacas de onde viria o nosso queijo, ou o leite para os flocos do nosso pequeno almoço? Nunca pensaram nisso?

A origem dos nomes do Brasil

Sobre a origem dos nomes do Brasil, já cá contámos anteriormente como o país foi, inicialmente, chamado pelos Portugueses Terra de Vera (ou Santa) Cruz. Porém, ao mesmo tempo isso poderá também suscitar duas questões adicionais – qual era o nome desse país antes dos Portugueses lá chegarem? E, posteriormente, porque foi o seu nome alterado para aquele que ainda tem nos dias de hoje, o de Brasil?

 

Em relação à primeira questão, segundo fomos lendo o nome nativo para a terra que hoje é o Brasil era Pindorama, que se acredita ter significado algo como “terra das palmeiras”. Mas, se isto facilmente resolveria a questão, o grande problema é que, aparentemente, ninguém sabe muito bem de onde vem essa informação. Mesmo hoje, com tanta tecnologia à nossa disposição, é relativamente fácil encontrar este pedaço de informação individual, mas nunca parece ser dito quem verdadeiramente o relatou, ou até como esse dado chegou aos nossos dias de hoje. Sim, ainda existe um local chamado Pindorama no Brasil, um município no estado de São Paulo, e rapidamente somos informados que esse era o nome tupi para as terras brasileiras, mas… desconhecemos as vias pelas quais essa informação chegou até aos nossos dias. Oops!

A antiga Ilha do Brasil

Agora, em relação ao segundo ponto, porque razão foi o nome dessa nova terra alterado para Brasil? Existia, já no século XIV, uma ilha lendária com um nome muito parecido com este, que se pensava estar colocada algures a oeste da Irlanda, como a imagem acima mostra. Ela nunca foi verdadeiramente encontrada, até porque estava supostamente repleta de elementos mágicos e lendários, mas é possível que o seu nome possa, de alguma forma até inconsciente, ter influenciado os navegadores portugueses.

A essa possibilidade podemos ainda acrescentar o facto desta palavra na altura já existir em Português – era usada para designar uma planta que dava madeira vermelha, como as que existiam bastante na terra recém-encontrada, ficando elas conheciadas como o pau-brasil, ou seja, o pau avermelhado, que posteriormente poderia vir a ser o pau vindo desse país, que lhe foi tomando o nome.

Qual destas duas hipóteses é a correcta, para a associação do nome ao território brasileiro? Não podemos ter uma certeza absoluta, mas é certamente provável que estes dois factores – entre outros entretanto esquecidos – tenham de alguma forma contribuído para a origem do mais famoso de todos os nomes do Brasil.

Três feitiços estranhos do Livro de São Cipriano

Para prosseguir este tema sequencial achámos que poderíamos deixar por cá três feitiços estranhos do Livro de São Cipriano. Como antes, cuidado, algumas das coisas mencionadas nestas linhas poderão ofender os mais sensíveis.

Rectângulo para ritual

Para obrigar as senhoras a dizerem o que fizeram ou o que irão fazer, o feitiço passaria então pelo seguinte – “Juntar o coração de um pombo com a cabeça de um sapo, secá-los e reduzi-los a pó. Colocar esse pó num saquinho, juntamente com um pouco de almíscar. Colocar esse saco debaixo da almofada da pessoa, e ela logo irá revelar o que se pretende saber. [Mas cuidado!,] Poucos minutos depois o saco deve ser removido, ou a pessoa poderá morrer com uma febre cerebral.”

 

Como causar um aborto? Bem, quando faltar um período a uma mulher e ela achar que pode estar grávida, basta-lhe colocar os pés em água muito quente, “o mais que possa suportar”, e supostamente o período depressa virá! Será que isto funciona? Não recomendamos o teste!

 

Para terminar estes temas, como se poderá saber se uma pessoa nos é fiel? É  bastante simples, basta realizar-se o seguinte ritual – “Faz-se na terra uma cova com a profundidade de dois pés. Deita-se no interior 30 libras de enxofre em pó, 30 de limalha de ferro, e água suficiente, todos muito bem misturados. Coloca-se sobre esta mistela o retrato da pessoa envolvido em couro, ou um papel com o nome dela. Cobre-se o buraco com a terra, devendo ser dito ‘Cipriano, pelo teu saber de mágico e pela tua virtude de santo, faz com que eu saiba se [nome aqui] me é fiel.'” Mas ainda não acabou, as indicações continuam – “Passadas 15 horas essa terra começará a expelir labaredas e cinzas. Se o retrato for consumido, é porque a pessoa está apaixonada [por outra pessoa, supõe-se]; se ele for poupado, é porque a pessoa é fiel. Se o retrato ficar dentro da terra, é porque a pessoa tem simpatia por alguém; se for atirado a uma pequena distância, é porque está a tentar terminar uma relação; se for atirado para longe, é porque a pessoa vem de volta para quem a chama.”

 

Como antes, deixamos a quem acreditar nestas coisas a tarefa de as testar, se assim o desejarem.

Qual a origem do nome de Portugal?

Nunca pensaram em qual a origem do nome de Portugal? Já em tempos de Dom Afonso Henriques que a parte norte do nosso território era conhecido como Portucale, um nome que ao longo dos séculos se irá expandindo para designar todo o território nacional, mas qual essa sua origem?

Mapa de Portugal Antigo

Essencialmente, o nome de Portugal é composto por duas partículas distintas. A primeira delas, Portus, era usada para designar aquilo a que ainda hoje chamamos um porto, ou seja, um local em que os navios atracam, trazendo os produtos comerciais de outros locais. Foi até essa designação que deu lugar ao nome da cidade do Porto, no norte do país.

Mas o que dizer em relação à segunda partícula, Cale? Os mais diversos autores divergem no seu significado real, desde a palavra grega para “bonito” até a um nome que servia para designar a etnia dos seus habitantes – os Galos, Gauleses, Galenses ou Galegos – entre muitas outras possibilidades. Qualquer que seja a resposta para o significado dessa segunda partícula, não deixa é de ser curiosa a ideia de que possa ter levado ao nome da cidade de Gaia, no lado oposto do Rio Douro.

 

Face a estas informações, é muito provável que Portucale tenha sido o nome original de uma cidade no norte do país, um possível “Porto dos Galos”, que era originalmente composta pelos territórios do Porto e de Gaia. A cidade terá sido tão grande, ou tão famosa, que à medida que o seu território se foi expandindo levou o seu nome para novas terras, fazendo desse antigo nome o do próprio território. Depois, o nome original separou-se no de duas cidades distintas, talvez pela dificulade em viajar consistentemente entre as duas margens do Douro, ou por uma qualquer outra razão. Mas o nome do país, esse, manteve-se, evoluindo para o que usamos hoje, com a evolução natural da língua ao longo dos séculos. E assim se explica a origem do nome de Portugal, em parte um facto concreto e em parte envolta em mistério, até aos nossos dias…

Três feitiços de amor do Livro de São Cipriano

Achámos que também poderíamos falar aqui de três feitiços de amor do Livro de São Cipriano, essencialmente para ilustração de parte dos seus conteúdos, em favor de todos aqueles que tiverem uma certa curiosidade por este tipo de conteúdos. Mas cuidado, eles contêm alguns elementos que não são indicados para todas as audiências, considerem-se avisados!

Rectângulo para ritual

Pense-se então que um homem quer causar o amor de uma mulher. Segundo o livro, deveria obter um pombo virgem e uma cobra. Matando o pombo e tirando-lhe o coração, deveria dá-lo a comer à cobra e guardá-la por 15 dias, até que morra. Cortando então a cabeça da mesma, deve ser secada sobre brasas, e depois molhada com 30 gotas de ópio. O resultado deve ser moído e colocado num frasco de vidro completamente novo. Em seguinda, quando se quiser causar o amor da pessoa, um pouco dessa estranha substância deve ser esfregada nas mãos, enquanto se diz “Iselino Belzebu, canta-galen-se-chando-quinha, é a própria xime, é golote”, e o feitiço ficava feito. Curiosa é a forma como toda a sequência termina – “O leitor ou leitora pode usá-la sem escrúpulo, que aqui não entra em pecado, pois o mesmo São Cipriano a ensinava a seus servos”.

 

Um segundo feitiço propõe “fazer amar contra vontade (…) ou fazer casamentos”. Pega-se num objecto dessa pessoa e prende-se na barriga de um sapo. Atam-se os pés do sapo com um fita vermelha e ele é colocado dentro de uma panela com terra e leite de vaca. Colocando o nosso rosto sobre a panela, deve então ser dito o seguinte – “[nome da pessoa], assim como eu tenho este sapo preso dentro desta panela, sem que veja sol nem lua, assim tu não vejas mais mulher nenhuma, esteja ela casada, solteira ou víuva. Só pensarás em mim. E assim como este sapo tem as pernas presas, assim também tu terás as tuas, e não poderás andar excepto para a minha porta. E assim como este sapo vive dentro desta panela, consumido e mortificado, assim tu viverás enquanto não te casares comigo.”

 

Terceiro e último, também partilhando do mesmo objectivo! Entra-se numa loja e compra-se uma vara de fita. Depois, ao sair, olha-se para o céu e vai-se dizendo – “Três estrelas no céu vejo, e a de Jesus quatro, e esta fita à minha perna ato, para que [nome da pessoa] não possa comer, nem beber, nem descansar, enquanto não casar comigo”, o que deve ser repetido três vezes.

 

No seu geral, e como pode ser visto acima, estes feitiços de amor do Livro de São Cipriano assentam na ideia teórica de que existe uma relação cósmica entre o que se pretende realizar e a forma como se tenta obter essas coisas, o que é particularmente claro no caso do ritual do sapo mostrado acima, mas também em muitos outros exemplos provindos da Antiguidade. E, se alguém acreditar nestas coisas estranhas ao ponto de as realizar, por favor deixe ali em baixo como lhe correu todo o processo.