Uma curiosa citação que Aristóteles um dia colocou na boca de Heraclides

What is a human being? A paradigm of weakness, a captive of opportunity, a plaything of Fortune, an icon of deterioration, a balance-beam between resentment and misfortune; and the rest is phlegm and bile.

 

É possível, mas não certo, que a citação que deu origem a esta tradução tenha provindo do Protréptico de Aristóteles, em que Heraclides era um dos intervenientes.

Uma pequena história de dois labirintos

Os mitos gregos e romanos atribuíam um labirinto em Creta a Dédalo, mas não é totalmente certo se, para eles, esse seria o primeiro recinto do estilo. Porém, o labirinto do Minotauro é certamente o mais famoso do género na Antiguidade, sendo até representado seja apenas com a sua forma característica, com um ou múltiplos caminhos possíveis de seguir e até com a monstruosa figura no seu interior. Na ausência do monstro, também pode aparecer com um intuito mais decorativo, que já ocorria em vasos gregos de bastante idade (perdão, “do período geométrico”, para quem gosta dessas coisas), mas seria difícil alguém querer argumentar que esse labirinto não se encontra quase sempre ligado a um mito muito específico.

O Labirinto do Minotauro

Alguns séculos mais tarde começaram a surgir figuras de labirintos na entrada e no interior de algumas igrejas cristãs. Qual é o seu significado, já que dificilmente ainda se poderia apoiar uma ligação ao Minotauro? Existem muitas teorias, mas uma das mais convincentes parece ser a de uma metáfora para a complexidade dos caminhos da nossa vida e da dificuldade que é a chegada a Deus.

 

Em ambos os casos parece existir a colocação de um elemento de grande importância no seu centro (ou na sua saída), seja o Minotauro de Jasão ou um invisível Deus cristão, entre outras figuras menos frequentes e eminentemente mais decorativas. Na ausência de qualquer figura, o labirinto, por si só, parece ser um elemento decorativo.

Conselho de Chaucer para todos os pais

Conselho de Chaucer para todos os pais

Muitas vezes, de livre e espontânea vontade, [a jovem de que nos fala uma história] chegava a alegar doença para fugir às companhias que pudessem levá-la ao pecado, principalmente nas festas, nos folguedos e nos bailes, que são ocasiões para excessos. Como se vê, são essas coisas que tornam as crianças maduras e atrevidas antes do tempo, o que constitui um perigo. Afinal, as meninas podem esperar um pouco, deixando para perder o acanhamento quando se casam.

(…)

Pais e mães, não importa quantos filhos tenham, é seu dever vigiar a todos enquanto estiverem sob a sua custódia. Cuidem para que não se percam, nem por seu mau exemplo, nem por sua negligencia em castigá-los. Se assim não agirem, asseguro-lhes que irão pagar por isso. Quando o pastor é mole e descuidado, o lobo encontra muitos cordeiros e ovelhinhas para dilacerar.

Fonte: Contos da Cantuária, tradução de Paulo Vizioli

Uma concepção do amor na visão de Chaucer

Sobre esta concepção do amor na visão de Chaucer, as linhas que se seguem vêm dos Contos da Cantuária, com tradução de Paulo Vizioli:

 Uma concepção do amor na visão de Chaucer

Os que se amam devem respeitar-se mutuamente, se quiserem viver juntos muito tempo. O amor não tolera imposições. Quando surge a imposição, o deus do Amor bate as asas, e então, adeus! vai-se embora. O amor, como tudo o que é do espírito, tem que ser livre. As mulheres, por natureza, desejam a liberdade, e não gostam de ser coagidas como escravas; assim também são os homens, para dizer a verdade. No amor leva vantagem aquele que for mais paciente; sim, virtude sublime é a paciência, dizem os doutos, pois vence onde fracassa a intolerância. Não se deve esbravejar, ou responder, a cada palavra: quem não aprende por si mesmo a controlar-se, ou por bem ou por mal será ensinado. Além disso, não há ninguém neste mundo que, uma vez ou outra, não faça ou não diga alguma coisa errada; a ira, a doença, a influência astral, o vinho, o desequilíbrio dos humores, – tudo pode levar a atitudes ou palavras insensatas. Eis porque não convém ficar zangado a cada deslize; e quem entende a essência da verdadeira autoridade deve com o tempo cultivar o equilíbrio.

O que querem todas as mulheres?

Esta é uma questão que já foi feita incontáveis vezes ao longo dos séculos – afinal de contas, o que desejam, ou querem, todas as mulheres? Sexo? Dinheiro? Amor? Fama? Para a maior parte dos leitores, esta poderá ser, sem qualquer dúvida, uma questão que dá muito que pensar – podemos considerá-la durante horas, tentar encontrar uma resposta, apenas para, momentos depois, conseguir encontrar várias excepções à mesma. Por exemplo, para que quereria uma freira amor? Para que quereria uma mulher que já tem muito dinheiro ainda mais do vil metal? Portanto, pense-se nisso antes de continuar a ler estas linhas – afinal de contas, o que querem todas as mulheres?

O que querem todas as mulheres?

Depois, aqui fica uma possível resposta, provinda de um dos Contos da Cantuária, numa história que parece ter alguma influência da Antiguidade e que deverá ter sido bastante popular nos séculos que se seguiram, dado o número de outras fontes literárias que também a referem. Essencialmente, nessa fonte e a um dado cavaleiro foi prometida a morte excepto se ele soubesse responder à questão que dá título ás linhas de hoje. Também ele teve dificuldade em encontrá-la, até que encontrou uma idosa, muito feia e mal-cheirosa, que lhe prometeu a resposta se ele aceitasse casar com ela. Em completo desespero, ele lá aceitou o pedido de casamento, e depois a idosa – que posteriormente se revela uma belíssima fada – disse-lhe o seguinte:

Wommen desiren to have sovereyntee
As wel over hir housbond as hir love,
And for to been in maistrie hym above.

 

O que quer isto dizer, para todos aqueles que têm alguma dificuldade em compreender a língua original? Essencialmente, diz-nos que todas as mulheres querem ser soberanas e mestres de quem amam. Mas será que os leitores, como as mulheres que apareciam na mesma história, também concordam? Afinal, o que querem todas as mulheres?