O mito de Aristeas de Proconeso

Este é um daqueles mitos que indubitavelmente tem um fundo de verdade. Sabemos que um tal Aristeas, nativo da ilha de Proconeso, existiu e escreveu um poema chamado Arimaspea, brevemente citado tanto por Longino como por João Tzetzes. Porém, pela sua natureza é improvável que a história contada por Heródoto seja igualmente verdade.

Heródoto conta-nos então que este Aristeas entrou numa loja, caiu para o lado e morreu. O dono da loja provavelmente ficou em pânico e foi contar aos familiares do (potencial?) defunto o que se tinha passado, mas.. quando voltaram ao local, o corpo de Aristeas não estava lá. Dias depois, um viajante disse que Aristeas não podia estar morto, já que o tinha visto num outro local e até falou com ele.

Estranhamente, Aristeas voltou à sua cidade-natal passado sete anos (a história não nos relata se os familiares lhe deram uma tareia pela sua repentina ausência…), altura em que supostamente escreveu a Arimaspea (provavelmente um relato das suas aventuras), antes de tornar a desaparecer. Posteriormente, é-nos dito que ele reapareceu mais de duas centenas de anos depois, mas se se tratava do mesmo Aristeas… ninguém sabe, tendo “ele” supostamente revelado que andava a viajar sob a forma de um corvo com o deus Apolo.

 

Onde termina então a verdade e começa a ficção neste mito? Não pode ser totalmente falsa, esta história, porque a Arimaspea existia e até Longino a elogia. Mas terá ele mesmo desaparecido por sete anos? Quem era a misteriosa figura que foi vista passado dois séculos? A perguntas como estas provavelmente nunca teremos uma resposta…

A breve história de Hipátia de Alexandria

Hipátia de Alexandria foi provavelmente uma das mais famosas filósofas da Antiguidade. Uma das suas histórias diz-nos até que, ao ser confrontada com o amor de um aluno,o tentou afastar pela música, e depois mostrando-lhe algo semelhante a um penso higiénico usado, dizendo-lhe que era isso que ele amava e que nada de belo tinha – a vergonha levou-o a afastar-se das suas intenções originais.

 

Não sabemos muito mais sobre esta figura, salvo o facto de ter sido morta pelos cristãos, não porque tenha feito algo de mal, mas – diz-nos pelo menos uma fonte – pela inveja de Cirilo, patriarca de Alexandria, tinha da sua enorme fama. Então, foi violada, o seu corpo foi despedaçado e depois levado numa espécie de procissão doentia pela cidade.

 

Quem tiver mais curiosidade sobre esta história pode vê-la no filme Ágora de 2009.

O mito de Prosimno, ou o primeiro dildo(?)

O mito de Prosimno, a que até poderíamos acrescentar um subtítulo de o primeiro dildo, é tão invulgar quanto obscuro (só o encontrámos de forma mais notável em Pseudo-Nono), mas provavelmente também um pouco inapropriado para os mais novos – perdoem-nos os pais, familiares, encarregados de educação e pessoas com papéis semelhantes. Deixado então este aviso inicial, continuamos então com a trama do mito grego.

O mito de Prosimno, ou o primeiro dildo

Numa dada altura o deus Dioniso procurava a entrada para o reino de Hades, de forma a trazer de volta à vida a sua mãe. Incapaz de encontrar esse local, acabou por se cruzar com um pastor de nome Prosimno. Este acedeu a ajudá-lo, desde que o deus aceitasse fazer amor com ele. Por motivos de tempo, Dioniso acedeu a este pedido mas com a contingência de que aguardassem até ao seu retorno. Porém, quando o deus depois voltou ao mundo dos vivos Prosimno já tinha morrido. Então, construiu um enorme falo de madeira, uma espécie de primeiro dildo, colocou-o sobre o túmulo do pastor e como que cumpriu parte da sua promessa.

 

Tome-se em atenção que nenhum autor nos conta este mito de Prosimno, ou do primeiro dildo, por completo e de uma forma contínua, sendo apenas inferida do cruzamento de várias fontes literárias. Ainda assim, não deixa de ser curiosa ao ponto de merecer ser mencionada por cá – o que vos parece? Já conheciam?

“Primeiro nasceu o Caos”…

Após o seu proémio, a Teogonia de Hesíodo começa com uma frase emblemática, “Primeiro nasceu o Caos”, uma espécie de divindade da qual depois irá, progessivamente, nascer tudo aquilo que existe. E, considerado puramente assim, num vazio cultural, poderá parecer-nos uma criação que tem uma certa lógica… isto, até considerarmos o mesmo problema que, segundo reza a história, levou Epicuro a dedicar-se à filosofia – de onde nasceu esse Caos? O poeta grego nunca responde à questão, mas pelos versos que se lhe seguem compreendemos que terá de ter nascido de alguém, de alguma coisa, de algum lado. Mas de onde? De um nada tão grande que nem tinha um nome? A ideia de que somente já existia, desde o início dos tempos, não faz sentido, pelo facto de nos ser dito que ele “nasceu”. Por isso, fica a questão!

A história de Menécrates de Siracusa

 

 

Da vida deste médico de Filipe de Macedónia sabemos, essencialmente, duas coisas, ambas igualmente curiosas.

 

Se, por um lado, ele era bom na sua profissão, curando até aqueles que sofriam da “doença sagrada” (hoje conhecida como “epilepsia”), por outro também parecia ser um pouco louco, insistindo em que o tratassem por Zeus e associando àqueles que curava os nomes das outras divindades do Olimpo. Além disso, segundo um dos relatos a que temos acesso parece que até fazia dos pacientes curados seus escravos pessoais.

 

Terá sido, presumimos, devido a essa potencial loucura que o próprio Filipe da Macedónia o convidou para jantar, servindo-lhe depois uma jocosa “dieta” de incensos e libações enquanto argumentava que um deus – como o seria Zeus – não tinha necessidade de comida. O seu séquito, esse, foi bem alimentado, levando a que Menécrates tenha saído do repasto zangado. Terá sido este o episódio que curou a sua potencial loucura? Não sabemos, mas dada a ausência de mais elementos sobre a sua vida é até possível que sim.