O mito de Io

Sobre o mito de Io… Originalmente uma sacerdotisa de Hera, Io acabou por se tornar uma das mais famosas amantes de Zeus. Se, inicialmente e como tantas outras mulheres, parece ter rejeitado os avanços amorosos do deus, acabou por sucumbir ao amor deste. Todas as versões do mito apresentam estes elementos basilares, mas depois a trama do mito complica-se um pouco.

 

Por uma qualquer razão (seja pela intenção de Zeus em ocultar Io, ou de Hera em puni-la), esta figura foi transformada numa vaca, sendo posta sob a guarda de Argos. Posteriormente, o rei dos deuses do Olimpo enviou Hermes para libertar Io – a versão mais famosa do episódio, constante na obra de Ovídio, diz-nos que este deus adormeceu Argos contando-lhe histórias, cortando-lhe o pescoço após ter adormecido os seus muitos olhos. Após este episódio Hera enviou um moscardo que, noite e dia, incomodava a bovina Io; tentando escapar dele, a heroína passou da Grécia para o Egipto (nessa passagem dando o nome ao Bósforo) e acabou por voltar à forma humana, tendo filhos de Zeus e casando com um rei do Egipto.

 

Este mito é um bom exemplo das atribuladas vidas que tiveram as mortais que se envolveram amorosamente com os deuses gregos.Casos como os de Alcmena e Europa são disso um igualmente bom exemplo. Dados os justificáveis cíumes de Hera e a diferença de estatutos entre os amantes, estas eram relações que nunca poderiam correr bem.

O mito de Pirra e Deucalião (e o dilúvio universal)

Pirra e Deucalião

O mito grego de Pirra e Deucalião é particularmente famoso por conter a referência a um dilúvio semelhante aos de histórias como as de Gilgamesh e Noé. No seu cerne conta-nos que Zeus, cansado dos constantes erros da humanidade, decidiu destruir tudo o que existia por meio de uma enorme cheia, poupando exclusivamente o casal constituído por Deucalião e Pirra em virtude da sua devoção religiosa. Depois dessa destruição os animais foram (magicamente?) recriados da própria terra, enquanto que os seres humanos tornaram a nascer de pedras lançadas pelo casal – as atiradas por Deucalião criaram novos homens, enquanto que as atiradas por Pirra geraram novas mulheres.

 

Estes são os elementos básicos do mito, mas é curioso que as fontes que o recontam adicionam, aqui e ali, outras informações, como a possibilidade do casal também ter levado alguns animais consigo, ou ter escapado num enorme barco, fazendo com que a história se assemelhe ainda mais ao nosso famoso dilúvio de Noé.

 

Face às semelhanças dessas diversas histórias, somos sempre levados a perguntar se teriam alguma fonte comum. Será que existiu, em tempos muito antigos, um dilúvio de proporções quase inimagináveis, depois preservado pelas diversas culturas nas suas histórias particulares? Muitas são as evidências de que isso até possa ter acontecido, mas não podemos ter a certeza absoluta. Pelo sim, pelo não, mais vale termos algum cuidado com os efeitos do aquecimento global…

Que transformações adoptou Zeus para seduzir o sexo feminino?

As muitas seduções de Zeus são provavelmente um dos aspectos mais conhecidos dos mitos gregos. Porém, este deus raramente encantava as mulheres ou os homens na sua forma real – de facto, quando Sémele pediu para o ver em toda a sua glória olímpica acabou destruída. Mas então, que transformações adoptou Zeus para seduzir as suas muitas conquistas? Ovídio, nas suas Metamorfoses, faz uma pequena lista, a que aqui adicionamos informações de outras fontes:

– Uma águia, para Ganimedes;

– Uma formiga, para Eurimedusa (e daí nasceu Mirmídon, mas pouco nos chegou sobre este mito);

Um touro, para Europa;

– Uma águia, para Astéria (esta forma do mito não nos chegou);

– Um cisne, para Leda;

– Um sátiro, para Antíope;

– A forma de Anfitrião, para Alcmena;

– Uma chuva de ouro, para Dánae;

– Uma chama, para Égina (esta forma do mito não nos parece ter chegado);

– Um pastor, para Mnémosine (esta forma do mito não nos parece ter chegado);

– Uma serpente, para Proserpina.

 

Pouco sabemos sobre três destes mitos, mas a forma como o poeta os entrelaça nos restantes leva-nos a acreditar que se teriam tratado de histórias famosas na sua época, bem conhecidas dos seus conterrâneos.

O mito de Licáon

Licáon, também conhecido como Licaão, Lycaon ou Licaonte, foi o primeiro rei da Arcádia (no Peleponeso) na Mitologia Grega. O mais famoso de todos os seus mitos conta-nos como esta figura, numa altura em que os deuses e os seres humanos ainda coexistiam num mesmo plano, matou o próprio filho e serviu-o num banquete a Zeus, tentando testar os poderes deste deus. Como é natural, a figura divina rapidamente se apercebeu do que se passava, transformando o rei num lobo e trazendo de volta à vida o falecido.

 

Se a identidade do jovem até varia entre versões do mito, existe quase sempre uma relação directa entre o rei e o sacrificado, sendo até possível que a história tenha um fundo de verdade, preservando vestígios de um tempo em que os seres humanos ainda eram sacrificados aos deuses (ver, por exemplo, esta notícia).

 

Outro aspecto curioso deste mito é o facto de se dizer que este monarca, Licáon, tinha 50 filhos – a Biblioteca de Apolodoro lista os seus nomes, mas não reconta as aventuras de cada um deles, sendo possível que tenham estado mais associados a mitos etiológicos.

A morte de Íbico

Íbico foi um famoso poeta da Antiguidade, mas uma pequena história (provavelmente fictícia) conta-nos as condições em que teve lugar a sua morte.

 

Quando Íbico ia numa estrada foi atacado por ladrões e deixado a morrer. Olhando os céus, o poeta viu alguns grous e pediu-lhes que vingassem a sua morte. Alguns dias depois, num teatro a céu aberto, surgiram alguns grous, levando um homem, naturalmente muito preocupado, a gritar “Os vingadores de Íbico estão aqui!”. Claro que foi rapidamente capturado, confessando o seu crime e divulgando a identidade dos seus companheiros, fazendo com que todos os perpetradores pagassem pelo seu crime com a morte.

 

Terá Íbico realmente sido vingado pelos seus amigos alados? É uma questão que fica – não temos quaisquer provas a favor ou contra esta versão dos acontecimentos.