Ismena (ou Ismênia) é irmã de Antígona, uma figura que nos foi tornada particularmente famosa através de uma peça de Sófocles. Mas se o destino dessa sua irmã é muito bem conhecido, o que terá acontecido a esta outra filha de Édipo? Não há qualquer menção a esse destino de Ismena nas versões mais famosas do mito, mas através dos versos fragmentários de poemas épicos quase totalmente perdidos – o chamado “Ciclo Tebano” – sabemos que em pelo menos uma fonte ela terá sido morta por Tideu, provavelmente aquando do término da segunda Guerra de Tebas.
mitologia grega e latina
O mito de Clitia, ou a lenda do girassol
O mito de Clitia, a que também podemos chamar a lenda do girassol, apresenta-nos uma ninfa que se apaixonou pelo deus grego Hélio. Se inicialmente o deus até pareceu retribuir esse sentimento, depois acabou por deixá-la em favor de outra mulher parcialmente divina. E então, se a ninfa até conseguiu separar este novo casalinho, depois também nunca recuperou o amor divino; mesmo assim, olhou o seu deus amado nos céus durante tempos e tempos infindáveis, acabando por se metamorfosear numa flor que durante o dia contempla sempre os raios do seu eterno amado – o girassol, que ainda nos nossos dias continua o seu comportamento apaixonado!

Este mito de Clitia, ou a lenda do girassol, não é uma história de amor, mas uma de desilusão e sofrimento. No entanto, de um ponto de vista puramente mitológico, que outra razão teria essa flor para fitar sempre o astro-rei, se não pelo facto de o amar sem fim até ao final dos tempos?
O mito do Rei Midas, e o “toque de Midas”
O mito do Rei Midas, e o seu famoso toque que transformava tudo em ouro, é muitíssimo famoso na cultura ocidental, ao ponto do seu toque de Midas até se ter tornado mais proverbial do que um mero mito. Dada essa sua fama, achamos que vale a pena dedicar alguns minutos a esse mito grego, para recordar de uma forma geral, os seus contornos:
As aventuras do Rei Midas começaram após conhecer um dos mais famosos discípulos de Dioniso . Possivelmente sob a influência dos desígnios deste deus, Sileno tinha-se perdido do resto do séquito. Assim, o famoso monarca da Frígia ajudou-o a reencontrar o deus, feito pelo qual lhe foi atribuída a possibilidade de realizar um único desejo.
De forma obviamente irreflectida, o Rei Midas adquiriu a habilidade de transformar tudo aquilo em que tocasse em ouro. Assim, o monarca estava impedido de ingerir qualquer espécie de alimentos, tornando a sua própria filha numa enorme estátua dourada.

Com novo auxílio do deus do vinho, toda a normalidade seria reposta, tendo o monarca compreendido o que realmente importa na vida. Infelizmente, a sua aventura não terminou por aqui.
Mais tarde, este famoso habitante da Frígia seria testemunha de um concurso de música entre Pã e Apolo. Contrariamente aos outros juízes, o rei admitira a (estranha?) superioridade de Pã Assim, insultado com uma tão ridícula decisão, o deus da medicina e da música transformou as orelhas de Midas nas de um burro, uma aparência que talvez lhe servisse melhor.
Após uma metafórica traição de Pã e alguma vergonha pública, o monarca teria as suas orelhas originais de volta, mas não sem que tivesse aprendido a sua lição.
A história deste rei é, apesar da sua aparente simplicidade, um rico exemplo da Mitologia Grega e das lições que esta nos pode transmitir.
Motivado pela tão humana avareza, tentou adquirir o dom da riqueza infinita, sem compreender o valor da própria vida e dos detalhes que a ela nos ligam. Poderia ter todo o ouro do mundo, mais jamais poderia voltar a tocar aqueles que amava ou comer um único alimento, o que levaria à sua morte. Felizmente compreendeu a lição, e o benevolente deus do vinho e da vinha ajudá-lo-ia a resolver os seus problemas.
Ainda assim, a burrice deste rei levá-lo-ia a um outro problema. Ao optar por um jocoso Pã em detrimento do mítico Apolo, cujos dotes musicais eram simplesmente lendários, este rei teria um castigo que lhe seria merecido. É importante referir que não se sabe a totalidade das razões que levaram o Rei Midas a tomar uma tal decisão, mas foi possivelmente irreflectida, tendo em conta a diferença de qualidade entre os dotes das duas divindades.
De forma geral, o mito deste Rei Midas é um interessante apelo à reflexão humana. Toda e qualquer decisão leva o ser humano para um determinado caminho, que é sempre consequência dos seus actos. Assim, o famoso rei foi, de forma clara, uma vítima das suas escolhas.
Esta é a interpretação mais básica, mais clara do mito, mas leva-nos a uma problemática já anteriormente retratada – a existência do Destino, das Moiras. Grande parte dos mitos greco-romanos falam-nos da crença na sua existência, o que impediria que os seres humanos efectivamente tomasse decisões sobre a suas próprias vidas. Visto deste ângulo, Midas era um simples boneco nas mãos do Destino, nada mais.
Há que reparar, ainda assim, na ausência de uma profecia. Mitos como o de Édipo apresentam, de forma clara, o trabalho das Moiras, mas fazem-no ao apresentar uma profecia que acaba por ser, mais cedo ou mais tarde, cumprida. Obviamente que isso não sucede aqui, permitindo-nos teorizar que nem todos os Gregos e Romanos acreditavam no Destino.
O mito de Pégaso resumido
O cavalo alado Pégaso, também conhecido por Pegasus, é talvez uma das figuras mais famosas da Mitologia Grega, sendo portanto um pouco inexplicável que a sua história nunca cá tenha sido recontada antes. Para corrigir esse esquecimento, aqui fica ele – o mito de Pégaso resumido, que até pode ser dividido em dois momentos principais:

O primeiro deles liga-o a Perseu, sendo-nos dito que quando este herói cortou o pescoço da Medusa, do sangue desta nasceu o cavalo voador Pégaso. Curioso é o facto de ele não ter qualquer espécie de influência nesse mito. Parecerá um pouco estranho, não fosse o facto de sabermos que essa é uma adição tardia ao mito, com algumas versões ainda a relacionarem esta criatura com algumas fontes; contudo, já não temos a certeza de como esse nascimento ocorria antes de ser ligado a Perseu.
No segundo momento, este animal é emprestado a Belerofonte, para que defronte a Quimera. Os detalhes de toda a aventura divergem entre versões, mas partilham alguns elementos comuns: o mítico cavalo foi obtido com auxílio divino e foi com ele que o herói acabou por conseguir atingir o seu objectivo, mas foi também ele o responsável pela morte dessa figura. Numa parte mais famosas desse mito, o herói tentou que Pégaso ascendesse até ao Olimpo, com a intenção de ver os deuses com os seus próprios olhos, mas pelo seu acto arrogante foi precipitado para sua morte. O cavalo foi colocado entre as estrelas, onde ainda hoje pode ser visto.
Esta breve descrição deixa-nos compreender um dos grandes problemas tanto do mito de Pégaso como do de Belerofonte. Se muitas são as fontes que atestam parte da sua trama e os seus elementos basilares até são sobejamente conhecidos, não existe nenhuma obra que nos conte, de uma forma mais alongada, o que terá acontecido. Mesmo a forma como a Quimera é derrotada diverge, só tendo nós a certeza de que o cavalo alado teve um papel importante nessa aventura. Este é, por isso, um mito um tanto ou quanto difícil de seguir, na medida que não sabemos todos os seus contornos originais.