O que significa o tridente do Diabo?

Imagem do Diabo com o seu tridente

Quando pensamos na figura do Diabo, porque é que tendemos a imaginá-lo com um tridente (ou uma forquilha) na mão? Esta questão foi-nos inspirada por uma pesquisa recente, em que um qualquer leitor brasileiro se perguntava – “Poseidon pegava almas com o tridente?”. Posto de uma forma muito simples, não, o deus grego dos mares não o fazia. Na Mitologia Grega não existe qualquer tipo de ligação entre Poseidon e as almas dos mortos, sendo estas últimas mais ligadas a Hades, deus dos mortos, por razões óbvias. Mas então, de onde terá vindo essa pergunta?

 

Bem, a figura cristã do Diabo tende a ser representada com um tridente nas mãos em virtude de se tratar de uma criação fictícia que nasceu da fusão de vários elementos pagãos, entre eles o instrumento guerreiro que Poseidon costumava carregar sempre consigo. Depois, ao longo dos séculos, foram sendo associadas ao Diabo novas características que nem sempre têm qualquer espécie de fundamento bíblico, como o facto de ele capturar almas de uma determinada forma. Assim se chegou, a longo prazo, à figura do Diabo como a temos hoje em dia, vermelha, com um tridente na mão, com pés de cabra e cornos (como os Sátiros), e assim sucessivamente. O tridente que ele usa na mão é, nem mais nem menos, aquele que um dia o deus Poseidon, conhecido entre os Romanos como Neptuno, também costumava usar.

Dois mitos de Anteu

Se esta figura mitológica é bem conhecida pelo mito que a une a Hércules, na verdade existem dois mitos de Anteu. Não é totalmente claro se se referem à mesma figura – é provável que sim, dado o facto de se tratar de um nome pouco vulgar, mas já voltaremos a esse ponto. Por agora, resumam-se sucintamente essas duas tramas.

Um mito de Anteu

Num primeiro mito, que é indisputavelmente o mais famoso dos associados ao nome de Anteu, esta figura encontrou Hércules, que o tentou derrotar. Incapaz de o fazer por diversas vezes, o mais famoso dos heróis gregos lá acabou por se aperceber que o seu opositor era absolutamente invulnerável enquanto tocava o chão – e porquê? Porque ele era filho de Gaia, i.e. a Terra, e então o contacto com o elemento da sua mãe não poderia senão apoiá-lo, regenerá-lo e torná-lo mais poderoso. Assim, face a esse problema, o filho de Zeus levantou este seu opositor no ar e matou-o numa espécie de abraço fatal, cujo momento fulcral foi repetidamente representado na arte até aos nossos dias.

 

Porém, numa das Odes Píticas de Píndaro é dado outro facto associado a um Anteu. Não sabemos, repita-se, se é a mesma figura referida acima, mas o poeta diz-nos que um rei com este nome teve uma filha, e que tomando por exemplo o mito de Danau decidiu oferecer a mão dessa sua descendente a quem conseguisse ganhar uma corrida. Infelizmente, pouco mais sabemos sobre esse outro mito, que está claramente incompleto nos versos que nos chegaram.

 

Serão, portanto, estes dois mitos de Anteu referentes a uma só figura? O nome não é muito vulgar e ambas as figuras estão associadas ao território da Líbia, o que poderia indicar que se tratam de um só. Contudo, é igualmente possível que esse monarca tenha tomado o nome de um antepassado (o contrário, i.e. um semideus tomar o nome de um rei, seria muito invulgar…). Por isso, nada podemos concluir, com grande certeza, sobre se estas duas personagens mitológicas gregas eram, originalmente, uma só…

Fátima e as aparições divinas

Fazendo hoje cem anos das aparições de Nossa Senhora na cidade portuguesa de Fátima achámos que poderíamos escrever um pouco sobre o tema. De uma forma muito simplificada, diz-nos a história (se verdadeira ou não, é uma questão de fé) que Nossa Senhora, a mãe de Jesus Cristo, apareceu a três pastorinhos. Não nos cabe a nós julgar a veracidade dessas aparições, mas é indisputável que Lúcia Santos, Jacinta e Francisco Marto creram ter visto a mãe de Cristo e acreditavam que esta, ao longo de alguns meses, lhes transmitiu algumas mensagens.

 

Porém, situações como essas nada têm de novo. Uma vez, quando Atenas ia ser atacada por um qualquer invasor, Artémis e Apolo apareceram e afugentaram os opositores. Cícero menciona que em algumas batalhas da sua época os dois gémeos divinos, Castor e Pólux, foram vistos a combater entre as fileiras romanas. Contam-nos também algumas crónicas que Apolónio de Tiana uma vez se transportou, magicamente, de um local em que estava para um navio em pleno mar. E se aparições de Jesus fora do Novo Testamento são pouco comuns, várias são as aparições de alguns santos, com o caso específico da Virgem Maria a ser particularmente frequente.

 

A que se devem todas estas aparições? Alguns autores até as atribuem a períodos de grande stress societal, mas… é tudo uma questão de fé.

Próculo Júlio e a morte de Rómulo

Os vários mitos que temos dizem-nos que Rómulo, um dos fundadores de Roma, não morreu. As circunstâncias do seu  desaparecimento terreno divergem entre as versões, mas surge frequentemente a ideia de que algo menos correcto possa ter acontecido a este herói. É nessa sequência que aparece a breve figura de Próculo Júlio, um simples homem a quem Rómulo apareceu e a quem, agora sob o novo nome de Quirino, revelou a sua divinização, afastando todas as dúvidas que existiam em relação ao seu destino.

Se bem que curto, o papel deste homem foi fulcral para apaziguar os ânimos da população!

Outra pequena história do roubo do fogo por Prometeu

O roubo do fogo por Prometeu é um dos mais famosos mitos gregos, estando bem representado na obra de Hesíodo. Porém, Íbico adiciona-lhe um episódio pouco conhecido – segundo este poeta, quem reportou o roubo do fogo recebeu, em troca, uma droga que permitia o rejuvenescimento. Esta foi depois colocada, juntamente com o resto da carga, no dorso de um burro.

Estando um período de grande calor, este animal acabou por parar perto de uma pequena fonte, altura em que uma cobra o tentou atacar. Para preservar a sua própria vida, deu-lhe então o líquido mágico, numa espécie de troca – o burro teve a sua água e a cobra passou a “perder” a sua idade, mas também começou a ser provida de uma mordedura que causava uma sede intensa.

 

Esta história não faz parte da versão original do mito, parecendo ter sido escrita para justificar a invulgar capacidade de uma espécie de cobra a que os antigos chamavam dipsas.