Porque é o leão o rei dos animais?

Deste tempos da nossa meninice que pensamos que o leão é o rei dos animais. Já Esopo, nas suas famosas fábulas, lhe dava essa designação muito particular. Mas de onde vem ela? Porque é o leão o rei de todos os animais, já pensaram nisso?

 

Bem, a verdade é que não temos uma história comum específica para esse facto, mas somente algumas tradições distintas. Uma delas considera-o como tal pelo facto de ele, numa fábula particular e em que esse epíteto ainda não lhe é aplicado, ter decidido reproduzir as acções dos monarcas humanos com os outros animais. Outra, provinda da Cinegética de Opiano, diz que os leões eram os Coribantes metamorfoseados, tornados reis como forma de agradecimento pelos serviços prestados ao jovem Zeus. Uma outra versão, de origem desconhecida, diz apenas que os outros animais tinham medo de defrontar os leões pelo trono, face à sua força natural. Mas qual a razão mais certa, ou a que levou à designação do leão como rei dos animais nos tempos antigos de Esopo, desconhecemos por completo.

Como é possível que Protesilau tenha morrido?

O mito de Protesilau já aqui foi contado, mas quem o tiver lido de uma forma mais reflectida deverá ter notado um pequeno problema – havendo uma profecia que dizia que o primeiro soldado grego a pisar o solo de Tróia ia morrer, porque o teria feito Protesilau sem qualquer tipo de reservas, ainda para mais quando uma esposa o esperava em casa? Face a essas circunstâncias, como é possível que Protesilau tenha morrido?

 

A resposta é dada por um autor latino, Ausónio. Segundo ele Protesilau foi vítima de um ardil por parte de Ulisses. Este segundo herói atirou o seu escudo para a praia, saltando depois para cima dele e dando a ilusão de que estaria a ser o primeiro a pisar a superfície de Tróia. Vendo isso, Protesilau saltou também ele para a praia, pisando o solo e sendo então rapidamente morto por um adversário – se um guerreiro mais anónimo ou o próprio Heitor, as nossas fontes já parecem discordar.

Podemos reconstruir o caminho de Odisseu/Ulisses?

As viagens de Ulisses (ou Odisseu) são-nos tão famosas da Odisseia de Homero que muitos já tentaram reconstruir os passos do herói. Para o fazerem basearam-se em diversas informações patentes nesse poema épico, mas Eratóstenes de Cirene deixou-nos uma pista fulcral para esse objectivo – “As cenas das viagens de Odisseu só serão encontradas quando encontrarem o homem que coseu a bolsa dos ventos”, numa evidente referência à bolsa que o rei Éolo deu ao herói.

 

Ora bem, Eratóstenes foi um dos responsáveis da Biblioteca de Alexandria e era considerado um dos pais da Geografia, pelo que se alguém estava em boa posição para encontrar os caminhos do herói homérico seria ele. Sabia que não conseguiria fazê-lo, mas a sua espécie de aviso parece não ter sido suficiente para muitos de nós.

A história de Creso

A história de Creso e de Sólon surge aqui porque recentemente nos foi pedido um mito sobre a avareza e a fortuna. Várias poderiam ter sido as hipóteses, mas optámos por um que, por muito estranho que pareça, nunca cá foi abordado directamente ao longo dos anos – a história de Creso. E chamamos-lhe “história” pelo facto de ter indiscutivelmente um fundo de verdade, mais ou menos pequeno de acordo com o estudioso que pretendam ouvir.

O confronto de Creso e Sólon

Creso foi um dos mais famosos monarcas da Antiguidade, sendo as riquíssimas ofertas que fez ao santuário de Delfos referidas por múltiplos autores. Um dia foi visitado por Sólon, um grande filósofo grego, a quem decidiu perguntar se existia alguém mais afortunado que ele. Sólon respondeu-lhe com as histórias de Telo de Atenas e de dois irmãos (Cleóbis e Bíton), dizendo-os mais afortunados que o rei, antes de concluir com um enorme aviso, que ficou para a história – “Creso, não contes nenhum homem como afortunado até ao dia da sua morte”, para grande desprazer do rei.

Algum tempo mais tarde Creso decidiu visitar o oráculo de Delfos, onde perguntou ao deus Apolo se deveria atacar a Pérsia. A resposta, também ela, ficou para a história – “Creso, se atacares um grande império será destruído”.

Creso decidiu, com base nessa resposta divina, atacar a Pérsia. Foi derrotado e condenado por Ciro o Grande, rei da Pérsia, a morrer numa fogueira. Os pormenores restantes divergem entre as fontes, mas numa das versões mais famosas o rei gritou “Sólon! Sólon! Sólon!”. Ciro mandou apagar a fogueira (ou esta foi apagada com a intervenção divina de Apolo) e pediu uma explicação para as estranhas palavras…

 

Só aqui apresentamos o cerne da história de Creso, que pode ser vista de forma mais detalhada nas Histórias de Heródoto, pelo facto de ser bastante relevante para o pedido que nos foi feito. Ilustra perfeitamente um grande problema em todas as sociedades, o facto das pessoas raramente pensarem no amanhã, como se a vida fosse estável e eterna. Sólon tentou avisar Creso que a sua fortuna não duraria para sempre, mas o rei nunca o quis ouvir. Também nós, demasiadas vezes, nos recusamos a ouvir o que nos dizem, focando-nos, como neste rei, também só naquilo que confirma as nossas expectativas. O aviso de Sólon, por muito que nos seja repetido, poucas vezes é ouvido. E depois, como o rei, quando já é tarde demais, repetimos “Sólon!”…

O mito de Euquenor

Euquenor é uma pequena figura apenas mencionada no livro XIII da Ilíada. Nada teria de especial não fosse o facto do poeta dizer em relação a ele algo de muito singular – era, juntamente com o famoso Aquiles, um dos poucos heróis que tinha a opção de não morrer em Tróia, mas em casa (de doença, segundo algumas traduções). Escolheu ir para a guerra, acabado por morrer quando Páris o atingiu com uma flecha na zona do queixo.