Será a data de hoje a do fim do mundo?

Meton de Atenas, um escritor do século V a.C., foi famoso pelos seus trabalhos na área da astronomia. As suas obras estão perdidas, mas uma das suas ideias mais singulares ainda nos chegou – segundo ele toda a existência iria cessar quando os sete planetas (os por ele já conhecidos) se alinhassem na casa celeste de Aquário. Não temos a certeza de quando isso irá ter lugar, mas presumimos que não será hoje.

 

Bom ano de 2017!

Origem, significado e sinónimo de “Eureca!”

A história da origem e do significado de Eureca! (ou Eureka, no seu original, a que outros agora chamam “Heureca”), a que depois aqui juntamos um seu sinónimo, é relativamente famosa, mas no entanto nunca é demais recordá-la nas nossas linhas.

Origem, significado e sinónimo de Eureca!

A origem de Eureca!

Conta-se que o rei Hieron II (ou Hierão) um dado dia decidiu mandar fazer uma coroa votiva para um dado templo. Esta deveria ser feita com todo o ouro que o rei tinha fornecido (e que até era bastante), mas como ter a certeza absoluta de que essa promessa foi mesmo cumprida? Poderia parecer uma questão complicada, razão pela qual o rei se aproximou de Arquimedes e pediu a sua ajuda para descobrir a verdade.

Mas também Arquimedes teve alguma dificuldade em descobrir a resposta, até que, um dado dia, ao ir tomar banho, notou que quando se imergia na banheira o nível da água subia. Ficou tão surpreso com a situação que, segundo nos é dito, gritou “Eureca! Eureca!” enquanto corria nu pelas ruas de Siracusa.

 

O significado e sinónimo de Eureca!

Mas, de facto, o que significa esta estranha palavra? Não é mais do que uma interjeição em Grego Antigo, Εὕρηκα, que tem o grande significado de “Eu descobri, eu descobri!”, e por isso pode ter como sinónimo algo tão simples como essas palavras, i.e. descobri, encontrei, fui capaz, etc.

 

Mas, afinal… a coroa de Hieron II era de ouro maciço?

Se foi este mesmo o princípio que Arquimedes usou para saber a densidade da coroa de Hieron II, o que lhe resolveu o problema, esta mesma história de Eureca também tem um aspecto muito menos conhecido – afinal de contas, era a coroa de ouro maciço ou não? Se a história até é repetida por muitos autores da Antiguidade, apenas Vitrúvio nos parece contar que o comerciante tinha mesmo enganado o rei, ficando com parte do ouro para si mesmo e fazendo a coroa com menos ouro e mais prata. E assim se resolveu todo o mistério original, mas se contou, também, aqui a história por detrás da origem desta famosa expressão!

O mito de Codro

Conta-nos a sua história de que Codro era um antigo rei de Atenas. Quando os Dórios invadiram o Peloponeso, receberam um oráculo segundo o qual o seu ataque só teria sucesso se o rei de Atenas não fosse magoado. Esta foi uma notícia que acabou por chegar aos ouvidos do monarca; sabendo disso, e com a intenção de salvar o seu reino, Codro disfarçou-se de camponês e dirigiu-se ao acampamento do adversário, provocando-o de forma a ser morto. Quando os invasores descobriram o que tinham feito, e provavelmente até com medo da profecia, retiraram-se do combate.

“Descoberto esqueleto de rapaz que pode ter sido sacrificado a Zeus”

Um esqueleto descoberto entre cinzas de animais sacrificados no Monte Lykaion, na Grécia, no santuário descrito como o local do nascimento de Zeus, está a intrigar os cientistas e pode ser a prova que faltava para comprovar os sacrifícios humanos ao deus grego.

(…)

 

O resto da notícia pode ser lida aqui. O que dizer sobre ela? É verdade que existem nos mitos gregos diversas menções ao sacrifício de humanos – na tragédia Ifigénia na Táurida, para dar um exemplo bastante conhecido, Orestes e Pílades quase são sacrificados à divindade local – mas é quase sempre no contexto de uma abolição dessas mesmas tradições, então já vistas como tão bárbaras quanto horrendas. Se até nos parece provável que tais rituais tenham tomado lugar na Grécia, só poderão ter ocorrido em tempos mais remotos; nos poemas de Homero ainda existiam, aqui e ali, referências a sacrifícios humanos – pense-se nos casos de Ifigénia e Políxena – mas sempre como uma conotação negativa e com os deuses a castigarem frequentemente quem ainda os realizava. Tanto Agamémnon como Neoptólemo, figuras ligadas a essas duas mortes, acabam por ser punidos, como o são várias outras figuras que sacrificaram humanos (Tântalo, o Licáon mencionado no artigo, etc).

 

Somos então levados à ideia crucial de que esses sacrifícios humanos só poderão ter sido vistos como aceitáveis numa idade muito anterior à de Homero. Isto justifica as vagas alusões que lhes são feitas nos séculos mais próximos da nossa era – sabia-se que tinham sido realizados, sim, mas em épocas remotas, já difíceis de datar para os poucos autores que sobre eles ainda nos escreveram, e que dificilmente os terão testemunhado na primeira pessoa.

O mito de Telo de Atenas

Quando, naquela que será provavelmente uma das histórias mais famosas da Antiguidade Clássica, Creso perguntou a Sólon se o considerava o mais feliz de todos os homens, o segundo rapidamente lhe disse que não, atribuíndo essa grande honra a um tal Telo de Atenas. Mas quem era esta figura?

Creso, a quem foi contado este mito de Telo de Atenas

De acordo com a história, como esta nos é contada por Heródoto, Telo de Atenas vivia numa cidade próspera e tinha filhos de boa índole. Viu todos eles lhe darem netos, também eles de boa saúde. Sempre viveu uma vida próspera, acabando por morrer de uma forma gloriosa, em batalha, sendo depois enterrado de uma forma repleta de honra e no mesmo local em que faleceu.

 

Esta história, como a que depois a segue (a de Cleóbis e Bíton), é importante não só na medida que nos permite constatar o que era a felicidade para Sólon (seja a figura real desse nome, ou uma figura de existência meramente literária), mas porque também nos leva a considerar a própria definição da felicidade, que não deverá depender apenas da riqueza monetária – como pensava Creso – mas que nasce, essencialmente, de viver e seguir um modo de vida muito específico, que pouco ou nada tinha a ver com os encantos da carne. Quão melhor seria este mundo se as pessoas entendessem a mesma lição!