Uma pequena história de Momo e da Lâmia

Numa das suas obras Tzetzes menciona uma frase proverbial em uso na sua altura – “os Momos vêem tudo menos a si próprios”. O mito desta figura é bastante conhecido, mas este autor também explica a frase, justificando-a com um facto curioso – o deus Momo carregava uma bolsa dupla às costas, guardando as suas coisas na zona das costas, enquanto levava as dos outros na parte frontal, impedindo-o, naturalmente, de ver aquilo que lhe pertencia.

 

Dentro do mesmo tema o autor conta-nos uma história menos conhecida da Lâmia. Segundo ele esta tinha a capacidade de retirar os olhos da face (uma característica que, recorde-se, nem todos os autores lhe dão); assim, quando ia a casa tirava-os e guardava-os numa pequena jarra, tornando a usá-los somente quando saía, razão pela qual também ela desconhecia o que tinha em casa, impedindo-a de se auto-criticar, enquanto o fazia facilmente para com as outras pessoas com quem se cruzava.

Histórias do Zodíaco #13 – Ofiúco

Há alguns anos e por razões que aqui não são de especial importância surgiu a ideia de um décimo-terceiro signo do zodíaco, Ofiúco. Este representa uma figura humana em pleno combate com uma cobra, mas a identidade dos dois envolvidos parece variar mediante as fontes consultadas.

 

Seriam eles Apolo e a serpente de Delfos, que o deus teve de derrotar para tomar posse do local do futuro oráculo? Tratar-se-ia do troiano Laocoonte, a ser atacado por uma serpente enviada pelos deuses, que acabaria por levar à sua destruição? Ou seria uma representação de Esculápio, figura muito associada às serpentes, que foi morto pelo rei dos deuses do Olimpo por repetidamente ter trazido de volta à vida aqueles que já tinham passado o seu tempo mortal?

Muitas poderiam ser as hipóteses, mas é inegável que este signo e constelação pareciam representar uma serpente (“ophis”, em Grego) em combate com uma figura humana.

Anaxífales de Pesto, sua vida e obra (?)

Já ouviu falar de Anaxífales de Pesto, um obscuro filósofo pré-socrático cuja visão da realidade assentava, essencialmente, na ideia de que o tempo e o movimento são um só? Foi ele que disse que o movimento dos céus era cíclico, como tudo o resto na nossa vida, e que, por isso, se um homem se conseguisse mover à mesma velocidade que o sol, não iria crescer nem sofrer qualquer tipo de alteração.

 

Por muito fascinante que esta visão nos possa parecer, Anaxífales não existiu. Confuso? Claro que podem ser encontradas algumas referências a ele na internet, mas todas elas originaram num artigo (falso) da Wikipedia. É esse o grande problema de recorrer a citações e fontes que não se conhecem na primeira pessoa; como já cá foi mencionado uma vez, isso é algo com que não podemos concordar, mas que, infelizmente, ainda continua a acontecer demasiadas vezes.

Histórias do Zodíaco #12 – Peixes

Este décimo-segundo dos signos do zodíaco tem uma história interessante, mas que também é muito pouco conhecida pela grande generalidade dos leitores.

 

O seu mito conta-nos como, um dia, durante a enorme guerra que recebeu o nome de Gigantomaquia (uma espécie de sequela da Titanomaquia) surgiu o mais horrendo de todos os monstros, Tífon. Num primeiro momento este monstro atacou os deuses do Olimpo e forçou-os a fugir do local onde residiam; parte do relato pode ser encontrado nos livros iniciais da Dionisíaca de Nono. Nessa sua fuga, algumas das fontes dizem que os deuses se forem refugiar em terras do Egipto, nas quais tomaram a forma de diversos animais, assim justificando as invulgares formas dos deuses representados nesse país.

Entre esses figuras estavam Afrodite e Eros. Mãe e filho decidiram transformar-se em peixes e escapar por um curso de água próximo, mas dada a tenra idade do segundo a sua mãe decidiu que deveriam unir-se por um pequeno fio, de forma a que não se perdessem um do outro, uma ligação que ainda pode ser hoje vista na representação típica deste signo.

Tífon acabaria por ser derrotado com o auxílio de Dioniso e Héracles, sendo depois colocado por baixo do vulcão Etna, mas a transformação de Afrodite e seu filho acabaria por ficar imortalizada neste signo.

Histórias do Zodíaco #11 – o Aquário

A figura do Aquário é, quase sempre, a de Ganímedes. Este era um jovem bastante apreciado pela sua beleza, que até cativou o próprio rei dos deuses, Zeus. Assim, quando este último desejou possuir Ganímedes, raptou-o e levou-o consigo para o Olimpo, onde passou a ter a tarefa de servir o vinho nos festins divinos. Desta forma, a pequena jarra que o representante do signo transporta consigo não contém (apenas) água, como até seria de esperar pelo seu nome, mas uma mistura dessa substância com vinho, de acordo com as tradições da altura.