Histórias do Zodíaco #10 – o Capricórnio

Ao signo do Capricórnio existem associadas duas histórias.

Este poderá tratar-se do deus Pã, que ao fugir de um ataque do monstruoso Tífon se transformou num misto de cabra e de peixe. A esse singular mito se voltará no (futuro) artigo relativo ao signo de Peixes.

 

A segunda história está intimamente ligada a um mito segundo o qual o pai de Zeus comia todos os seus filhos ao nascimento, e a forma como este último deus foi salvo pela mãe. No entanto, menos conhecido é um episódio segundo o qual este futuro rei dos deuses do Olimpo foi criado por uma cabra, de seu nome Amalteia. Mais tarde, e como agradecimento pelos seus serviços, esta foi até colocada nos céus, onde ainda hoje pode ser vista.

Os homens que comiam tudo… mas TUDO mesmo!

Uma das sequências do Cronógrafo de 354 apresenta-nos uma pequena crónica da cidade de Roma. Poderia parecer-nos natural a referência a diversos prodígios que foram tendo lugar ao longo dos séculos – como o caso de uma porca que, no reinado de Lúcio Vero, deu à luz um elefante – mas tais factos até se tornam credíveis face a dois relatos de homens que comiam bastante, como veremos.

 

O primeiro deles surgiu no reinado de Nero. Alexandrino de nacionalidade, este Harpocras comeu uma porca selvagem, uma galinha viva (com penas), 100 ovos, 100 pinhas, vidros partidos, uma vassoura, quatro guardanapos, uma leitoa, um conjunto de feno, entre outras coisas e… ainda ficou com fome!

Um segundo homem, tão singular como o primeiro, surgiu no reinado de Alexandre Severo. De nacionalidade italiana mas de nome desconhecido, comeu uma caixa, alfaces, uma caixa de sardinhas (presume-se que vazia), 10 sardinhas, 70 melancias, uma vassoura, quatro guardanapos, quatro pães grandes, uma (outra) caixa, um cardo com espinhos, além de beber bastante, e… ainda parecia ter fome!

 

Qual seria a história destes dois desconhecidos, a que o texto chama “polífagos”? Seria mesmo isto verdade, ou uma qualquer piada cujo verdadeiro sentido se perdeu com o tempo?

Histórias do Zodíaco #9 – o Sagitário

Se muitos são os símbolos do zodíaco cujas histórias se encontram envoltas em alguma neblina, o mesmo não se passa com o caso do Sagitário, em relação ao qual todos os autores consultados parecem concordar numa mesma figura e versão da história.

 

O Sagitário tratava-se então de Quíron, um centauro que foi tutor de diversos heróis, entre eles Aquiles, Héracles e Pátroclo, só para referir alguns dos mais famosos. Vários anos mais tarde e no decurso dos seus famosos trabalhos, Héracles feriu acidentalmente Quíron com uma das suas flechas, as mesmas que tinham sido banhadas no sangue venenoso da Hidra de Lerna. Isto causou uma dor imensa ao seu antigo professor, mas visto que este era imortal, a sua dor também jamais cessaria. Para impedir que isso tivesse lugar, Quíron pediu então aos deuses que lhe retirassem o dom da imortalidade, algo a que estes acederam. Depois, foi colocado entre as estrelas, onde ainda hoje pode ser visto, juntamente com uma flecha; se esta se tratava da mesma que o feriu, ou uma das que ele próprio possuia, não se sabe.

Histórias do Zodíaco #8 – o Escorpião

Tal como aconteceu no caso da Virgem e da Balança, também a história do escorpião poderia ser difícil de explicar sem que se recorra a uma constelação desta próxima nos céus, Oríon.

 

Fale-se então do mito do prodigioso caçador Oríon, que parecia amar a virgem deusa Ártemis. Por uma razão que diverge entre as diversas versões do mito, um qualquer deus enviou um escorpião para o matar, acabando o venenoso animal por lhe causar essa morte, seja de uma forma directa (evidentemente, a sua picada) ou mais indirecta (uma seta disparada por um qualquer deus). Depois, ambas as figuras foram colocadas nos céus, com a perpétua perseguição a ser representada cada noite entre as estrelas, dando o animal que levou à morte de Oríon o seu nome a este signo do zodíaco.

Histórias do Zodíaco #6 e #7 – a Virgem e a Balança

Como já foi escrito em 2012, a presença da balança nos céus poderia ser difícil de explicar excepto se pela associação com uma figura próxima, hoje quase sempre chamada “a Virgem”. Mas de onde vem o nome desta última, e qual é mesmo a história que a coloca nos céus?

 

Infelizmente, se muitas são as potenciais histórias para essa figura – por exemplo, poderia associar-lhe Astreia, Deméter ou Erígone, entre outras – a mais natural seria mesmo a da presença de uma deusa da justiça nos céus, juntamente com a sua imparcial balança. Não me recordo de qualquer razão muito contundente para as suas colocações gerais entre as estrelas, mas em relação ao nome moderno dessa figura feminina, sempre ouvi dever-se ao facto de, já na Idade Média, esta ter sido equiparada com a mais famosa das virgens do Cristianismo – Maria, mãe de Jesus Cristo.