O mito grego de Polifemo, Galateia e Ácis

O Polifemo de Homero

A figura do ciclope Polifemo é muitíssimo bem conhecida da Odisseia homérica, em que aprisiona Odisseu e os companheiros numa caverna. Porém, esse não é o único mito atribuído à figura; a presença das ovelhas, sob as quais Odisseu e seus companheiros acabam por fugir, dá-nos a supor uma outra ocupação por parte deste monstro, que tem alguma importância num outro mito, que o associa aos amantes Galateia e Ácis. Esse mito pode ser resumido assim:

 

Polífemo, enquanto trabalhava nos campos, conhece uma ninfa, chamada Galateia, que tenta seduzir com a sua música e alguns presentes campestres. Esta, no entanto, rejeita-o em favor de um mortal, Ácis. Quando vem a saber dessa relação, o ciclope, filho de Poseidon, nos seus cíumes acaba por matar Ácis com uma enorme pedra. Depois, infeliz, Galateia transforma esse defunto num curso de água.

 

Este mito é muito mais recente que o episódio homérico, mas em termos de trama, só pode antecedê-lo (recorde-se que, para escapar da caverna, Odisseu cega este monstro), e permite-nos compreender, de alguma forma, potencial relação pastoral que Polifemo tinha; como qualquer outro pastor da altura, também é provável que esta figura mitológica passasse o seu tempo nos campos a tocar flauta, a vigiar as ovelhas, a produzir queijos (entre outras tantas possibilidades), fazendo dele, mais do que um mero monstro (como o eram Tífon, Equidna, Cérbero, etc.), uma criatura civilizada, também ela propensa ao amor, ao cíume e à dor. Esses são aspectos a que aqui temos um acesso mais directo, mas em relação aos quais Homero apenas fazia algumas alusões, mais evidentes através da presença das ovelhas desta figura.

O mito de Minta

O mito de Minta, também conhecida por Menta, é muitíssimo simples: essa era uma ninfa que se apaixonou por Hades, e que foi transformada numa planta (evidentemente, a menta) pela esposa desse deus, Perséfone. Trata-se este mito, então, de mais um criado para justificar a existência de uma dada planta, como tantos outros que ocupam as páginas das Metamorfoses de Ovídio.

O mito de Pentesileia e de Térsites

O mito de Pentesileia e de Térsites, que une estas duas figuras, não é mito conhecido entre as aventuras do Ciclo Troiano, mas nem por isso se torna menos interessante. Como tal, podemos contá-lo de uma forma breve:

Aquiles prestes a matar Pentesileia

Pentesileia era filha de Ares e, após a morte de Heitor (que ainda tem lugar na Ilíada), foi a primeira das grandes figuras a ajudar os Troianos. Dela sabemos que venceu vários opositores gregos, mas que acaba por ser vencida por Aquiles. Porém, é precisamente dessa morte que surge o momento mais importante deste mito – após esse falecimento, a armadura da heroína é removida, e toda a sua exuberante beleza é exposta, causando a paixão até daqueles que se lhe tinham oposto em combate. Notavelmente, Aquiles chora (pelo menos um autor justifica essa acção com o facto do herói ter entendido que apenas Pentesileia o poderia amar por completo), e acaba por ser gozado por Térsites; essa outra figura, bem conhecida da Ilíada de Homero, é, nessa sequência, rapidamente morta pelo filho de Peleu.

 

Se sobre a morte de Térsites sabemos agora muito pouco, já a de Pentesileia é muitas vezes mencionada como tendo “algo” de especial. O quê, já é mais difícil conseguir precisar, até porque os vários autores não são muito claros em relação ao tema – parecem presumir que os leitores já conheciam, e bem, o episódio – mas é muito possível que, nos textos originais, até tenha existido um momento de enorme beleza e singularidade nessa morte de Pentesileia, bem como na forma como o próprio Aquiles, seu conquistador, a testemunha.

A descoberta do íman

Plínio o Velho conta-nos apenas que o íman foi descoberto por um pastor chamado Magnes, quando este fazia a sua usual tarefa nos montes e deu por si com os pregos da sandália, bem como parte do seu bastão, a serem atraídos por uma dada rocha.

 

Seria esta uma história verdadeira? O nome grego remete-nos para a sua origem na região da Magnésia, onde, segundo nos é dito, existiriam muitas pedras com estas propriedades, pelo que é provável que a história deste Magnes, como muitas outras, nos pareça correcta, mas também seja apenas uma falsa etimologia que, apesar de já não ser preservada na língua portuguesa, ainda o é em línguas como o Inglês (“magnet”).

O mito de Aglau

Quando Heródoto nos contou o confronto entre Creso e Sólon, as respostas dadas pelo sábio ao monarca são sobejamente conhecidas. Porém, uma outra história, bem menos conhecida, relata-nos que Creso, um dado dia, foi ao Oráculo de Delfos e, também aí, perguntou se existia algum homem mais feliz do que ele. Foi-lhe dito que sim, e contada a história de um dado Aglau de Psófis.

 

Quem era essa figura? Bem, tratava-se de um idoso que cultivava um pequeno campo, cujas culturas eram suficientes para a sua subsistência anual. Nunca tinha saído da sua remota região, localizada na Arcádia, e, como tal, tinha muito poucos desejos, pelo que também sofreu pouco na sua vida.

 

Esta descrição, uma paráfrase do pouco que nos é revelado sobre esta elusiva figura, remete-nos, novamente, para o encontro de Creso e Sólon, e para a ideia de que a felicidade passa não por termos muito, mas em contentar-nos com o que já temos, por pouco que seja.