Ulisses, o cavalo

A figura de Odisseu, também chamado Ulisses, é provavelmente uma das mais famosas dos mitos gregos, tendo as suas aventuras sido tratadas, em grande parte, na famosa Odisseia de Homero. A ela se juntam, depois, as aventuras que teriam lugar no resto do Ciclo Épico, em que o herói acabaria por ser morto por um filho que teve com Circe, e que não o conhecia. Agora, se é famosíssima essa versão do mito, alguns autores também mencionam uma outra, em que o herói é transformado num cavalo. Pode parecer muito estranho, mas convém, então, recordar esse curioso mito.

 

Segundo Ptolomeu Queno, Odisseu visitou uma companheira de Circe, que o transformou em cavalo recorrendo a ervas mágicas. Sexto Empírico, ao referir três versões da morte deste herói, menciona também essa transformação, mas sem referir qualquer mito a ela associada. Já Sérvio, ao comentar a Eneida, fala igualmente de três versões da morte do herói, uma delas sendo uma transformação em cavalo por parte da deusa Atena, aparentemente quando fugia de Pã, nesta versão dado à luz por Penélope, fruto dos amores desta por todos os pretendentes.

 

Se nada sabemos sobre as fontes que os três autores tinham para este singular mito, uma questão que não podemos deixar de pôr é o porquê dessa transformação num cavalo, em detrimento de qualquer outro animal. E, sobre isso, infelizmente não temos qualquer informação para concluir seja o que for; muitas poderiam ser as teorias, mas não passariam disso, teorias, sem um fundo muito credível.

O mito do touro de bronze de Fálaris

O mito do touro de bronze de Fálaris é relativamente conhecido nos nossos dias, ao ponto de até ter aparecido em filmes recentes. Assim, conte-se resumidamente toda a história que o envolve:

 

Perilo construiu um touro de bronze para Fálaris, um singular bovino que podia ser aquecido para assar até à morte quem fosse colocado no seu interior, mas que também transformava os gritos de quem lá fosse colocado no som característico do cornudo animal. Então, recebendo essa prenda, Fálaris testou-a imediatamente no seu criador, que morreu uma morte horrenda.

 

Como já referido, este é um mito relativamente famoso, que até apareceu num filme de 2011 (Immortals), mas que, contudo, também pode ter sido mais histórico que meramente mítico. Várias são as menções, não só na literatura da altura mas também em textos mais recentes, a pessoas que teriam sido torturadas recorrendo a um artifício semelhante a este, mas não sabemos até que ponto essas torturas se poderão ter inspirado verdadeiramente no mito do touro de bronze de Fálaris.

O mito de Eunomo

O mito de Eunomo é daqueles que podem ser facilmente resumidos num número muito pequeno de linhas. Não acreditam? Vejamos então:

Enquanto Eunomo competia num concurso de música para o deus Apolo, uma das cordas da sua cítara partiu-se. Saltou então uma cigarra para o instrumento, e, tomando o lugar da desaparecida corda, acabou por levar o herói à vitória no concurso.

O mito de Apício, e o “De re coquinaria”

Para os mais conhecedores da Antiguidade, Apício foi o escritor de uma obra de nome De re coquinaria, em que, em dez livros, abordava a culinária latina e grega da altura, de uma forma que ainda permite aos leitores dos dias de hoje cozinhar esses mesmos pratos (importa adicionar, neste ponto, que deles uma cozinheira moderna declarou serem “simplicíssimos”).

 

Contudo, os mitos da altura também nos falam de um Apício. Não sabemos se será a mesma figura que o autor acima mencionado (em termos de identificação da figura, só nos é dito que “escreveu vários trabalhos sobre especiarias”), mas é-nos contado que gastou todo o seu património em comida, e que quando começou a sentir privações, sentiu-se tão envergonhado que recorreu ao suicídio através de um veneno.

O mito de Mergo

O mito de Mergo é tão simples quanto sucinto. Ele era um filho do Rei Príamo que se atirou de uma muralha mas não morreu. Repetindo a peripécia diversas vezes, acabou por ser transformado em pássaro pelos deuses, continuando a repetir essa mesma façanha até ao final dos tempos.