A história, ou mito, de Marco Régulo

Marco Régulo existiu, isso não está em dúvida. Mas, ao mesmo tempo, também faz sentido falar da história, ou mito, de Marco Régulo, na medida em que a esta figura surge associada uma fabulosa trama que não podemos ter a certeza se efectivamente tomou lugar.

 

Após a batalha de Tunes, por volta de 255 a.C., este general romano, Marco Régulo, foi capturado. Alguns anos mais tarde foi enviado a Roma para negociar as condições de restituição de prisioneiros, entre os quais se contava ele próprio. Instou a senado romano a rejeitar todas as condições, não cumprimentou sequer a própria família e, depois, voltou para Cartago, onde acabaria por ser torturado até à morte (pelo menos uma versão menciona que lhe foram cortadas as pálpebras, para que não conseguisse dormir).

 

É uma bela história, esta de Marco Régulo, que mostra a continência de um general romano, que segue o que prometeu até às derradeiras consequências, pagando até a honestidade com a sua própria vida. São diversos os autores que a referem, mas será que realmente teve lugar, e se desenrolou precisamente como nos é dito? Isso já não sabemos, nem podemos vir a saber com uma absoluta certeza, mas supondo que tudo isto é verdade, esta figura histórica mereceria a nossa memória mais do que muitos mártires e santos católicos.

Porque tem Poseidon/Neptuno um tridente?

Sempre que o deus grego Poseidon, conhecido como Neptuno entre os Romanos, aparece representado na iconografia ou na literatura da Antiguidade, tem consigo um tridente. Apesar de ser um deus dos mares, são incontáveis os mitos em que ele faz uso dessa mesma arma para causar terramotos, mas qual é a simbologia desse seu famoso instrumento? Ou então, porque tem Poseidon/Neptuno um tridente?

O tridente de Neptuno, ou Poseidon, numa moeda

Um dado comentador de mitos da Antiguidade revela uma (possível) razão para este símbolo do deus, quando nos reporta que, e cite-se, “o tridente era um símbolo da tripla virtude da água, já que esta fluía, era fértil, e era potável”. Tenha-se, porém, em conta que esta era exclusivamente a opinião de um comentador, que poucos outros autores repetem, e, portanto, pode até apenas ser uma mera conjectura do simbolismo deste aspecto de Poseidon e Neptuno. Essa ideia até faz especial sentido se percebermos que o mesmo comentador também associa elementos triplos a outros deuses, como Júpiter e Plutão, dando ao primeiro um raio de três pontas e ao segundo o famoso cão de três cabeças, justificando este último como um símbolo da morte em três faces – por simples natureza humana (i.e. todos somos mortais), com uma causa real, ou por mero acidente.

 

O que dizer então do tridente do deus dos mares, a que os Gregos chamavam Poseidon mas os Romanos Neptuno? Até é bem possível que, originalmente, existisse um mito em que o deus obtém esse seu instrumento guerreiro, tal como os seus dois irmãos receberam armas especiais – Zeus o trovão e Hades um elmo que tornava o seu portador invisível (e que Perseu viria a usar um dia) – mas essa história já não nos parece ter chegado. Como tal, para nós, o tridente de Poseidon é somente um aspecto elementar do deus, que depois até chegou aos nossos dias nas mãos do Diabo, enquanto símbolo do Paganismo da Antiguidade.

O mito de Quelone

O mito de Quelone é tão sucinto quanto digno de memória nos nossos dias:

Aquando do casamento de Júpiter com Juno, todos os seres vivos e todos os deuses foram convidados. Todos eles compareceram ao evento, com excepção de Quelone, que, por alguma razão, preferiu ficar em casa. Então, Mercúrio fez descer uma enorme torrente contra a casa dessa mulher, empurrando-a para o mar. Depois, o mesmo deus transformou-a numa tartaruga, para sempre ligada ao local onde vivia.

 

Muito se poderia escrever sobre este mito de Quelone em particular, mas optando por um caminho mais simples, podemos aqui constatar uma ideia patente em diversos mitos da Antiguidade, em que a punição por um dado acto surge intimamente ligada a algum aspecto da própria figura que a sofre. Outros exemplos dessas ligações podem ser vistos, por exemplo, em parte do mito do Rei Midas (em que um mau julgamento acabaria por dar orelhas de burro ao famoso monarca), ou no mito de Aracne, em que uma jovem se vangloria da sua perfeição na arte de bordar, desafia a deusa Atena para uma competição, e acaba eventualmente transformada numa aranha.

O mito de Molorco

A história da figura de Molorco é simples – era um pastor que bem recebeu Héracles aquando do seu primeiro trabalho, e com quem o herói fez um sacrifício aos deuses.

 

A simplicidade deste pequeno mito poderia levar-nos, ainda assim, a uma questão maior, a do porquê da existência de mitos assim. E a resposta é, aqui, mais simples do que poderia parecer – teria sido esta figura a plantar o bosque de Nemeia, e a criar uma cidade dela próxima, a que deu o nome – levando-nos a concluir que este é um mito etiológico, ou seja, uma pequena história criada para justificar a existência de algo, aqui um bosque a uma cidade, bem como o nome da segunda.