A disputa de Corinto

É famosa a disputa de Poseidon e Atena pela cidade de Atenas, mas, aparentemente, essa não foi a única disputa a ter lugar nos mitos da altura. Favorino e Pausânias, por exemplo, mencionam também que Poseidon e Hélio disputaram a cidade de Corinto, e até que Briareu foi o juíz dessa outra grande disputa, acabando por dar parte da cidade a cada um desses dois deuses, com Hélio a ficar com as partes mais elevadas, enquanto que Poseidon ficou com o resto da região.

A figura de Hipalectrion

De entre as muitas figuras estranhas da Mitologia Grega conta-se um ser metade galo, metade cavalo, normalmente chamado Hipalectrion. Como pode ser visto na imagem abaixo, normalmente ele tem a parte frontal de um cavalo, com a traseira de um galo enorme, e as asas naturais neste segundo animal.

Imagem de Hipalectrion

Porém, curiosamente, esta é uma figura que não tem qualquer mito associado. E é pena, porque certamente teria uma história interessante para nos contar, mas é apenas mencionada num fragmento de Ésquilo e em algumas peças de Aristófanes, somente como uma figura que, presume-se, as audiências de altura já conheciam bem. Seria uma figura de grande proeminência nas comédias, que foi sendo esquecida ao longo dos séculos? Acreditamos, mas sem muitas provas reais, que sim…

Existem mitos com pombos?

Surgiu a questão, hoje, sobre a possibilidade de existência de mitos relacionados com pombos, da mesma forma que existem várias outras metamorfoses em pássaros.

 

Bem, se as pombas brancas aparecem muitas vezes associados ao amor, ao culto de Afrodite (em obras sobre animais são vistas como exemplos da fidelidade), e esses animais até têm alguma relevância noutros cultos do Mediterrâneo, não conheço qualquer mito grego ou latino em que exista uma transformação de uma figura humana em pombo (ou pomba). É provável que até existam noutras culturas. Muitas poderiam ser as razões para essa ausência, mas por não ter quaisquer certezas convincentes não me atrevo a falar sobre elas.

O mito de Ocno

Muito pouco se sabe sobre a figura de Ocno, além do seu (obscuro) castigo no reino de Hades – por alguma razão que já não nos parece ter chegado, este herói foi condenado a enrolar uma corda para toda a eternidade, enquanto que um burro, possivelmente invisível (?), o seguia e comia essa mesma corda. Tal como sucede com outras figuras semelhantes (particularmente Sísifo), é possível que também esta fosse uma personificação de uma enorme perda de tempo.

O mito da Égide de Atena e a sua relação com a Medusa

Quando se ouve falar da égide (ou, no seu original, aegis) é quase sempre no contexto dos ornamentos da deusa Atena, e é vulgarmente vista como a cabeça da Medusa, cortada por Perseu e que, depois, dava protecção à deusa no seu escudo. É nesse sentido que aparece em muitos mitos e na arte grega, mas, aparentemente, não é a única versão da história.

 

Segundo, pelo menos, uma obra de Dionísio Escitobráquio, hoje perdida (mas que foi citada por outros autores), a égide seria, também, uma criatura mitológica nascida da Terra, que cospia fogo, e ia queimando as terras por onde passava. Eventualmente, essa criatura foi atacada e destruída por Atena, que passou a usar a sua pele como forma de protecção. Se a fonte para esta versão do mito não é propriamente muito conhecida, nem a sua trama muito repetida, não posso deixar de frisar que faz algum sentido. Veja-se, por exemplo, esta imagem:

Jasão, Atena e o Dragão

Aqui, a aegis está colocada no peito de Atena, e não num escudo. Em muitas outras imagens da deusa, esta até pode ser representada com a cabeça da Medusa, morta por Perseu, no seu escudo (aí identificada pelo seu cabelo de serpentes), mas são raras as vezes em que não tem uma figura semelhante a esta ao peito. Ora, se a figura da Medusa já está colocada no escudo, seria um pouco absurdo identificar a constante neste amuleto também com essa mesma Medusa. Pode, evidentemente, ser identificado como um amuleto, esse elemento aqui colocado no peito da deusa, mas mais do que se tratar da Medusa, é possível que se trate de uma outra figura, mais obscura, como a deste mito, sendo até possível que os dois elementos, por terem funções muitíssimo semelhantes, tenham acabado por se confundir.