Mapa de (algumas) criaturas mitológicas europeias

Mapa de (algumas) criaturas mitológicas europeias

Na imagem acima, da autoria de investigadores da Universidade de Vilnius (na Lituânia), poderão “ver” um mapa em que estão representadas algumas das principais criaturas mitológicas europeias. Contudo, há um pequeno problema – a imagem é gigantesca, nunca caberia no ecrã, pelo que poderão carregar nela, ali em cima, para descarregar uma versão em pdf do documento (é um pouco grande, a transferência poderá demorar algum tempo), que poderão ampliar e explorar como desejarem.

 

O documento contém informação bastante interessante, desde os locais em que as criaturas mitológicas vivem até uma pequena informação biográfica. Ainda assim, está um pouco incompleto e tem algumas incorrecções mínimas – por exemplo, em relação às criaturas portuguesas, apenas são apresentadas o Duende (definido como “um anão da floresta, que atrai jovens raparigas para esse local, fazendo com que percam o caminho para casa”) e a Moura Encantada (ou seja, “uma jovem sobrenatural com belos e longos cabelos. Guarda castelos, cavernas, pontes, poços, rios e tesouros”), quando até existem muitas mais, de que o Tritão da zona de Lisboa é uma das mais evidentes. Mas, apesar disso, este não deixa de ser um recurso muito interessante para quem se interessa pelos mitos e lendas da Europa, aqui apresentados através de algumas das criaturas mitológicas europeias que neles aparecem.

A lenda de Linda-A-Velha (e Linda-A-Pastora)

Perto da cidade de Lisboa existe uma pequena povoação de nome Linda-A-Velha. Uma tão-invulgar designação tende a suscitar a curiosidade daqueles que por lá passam – por isso, pergunte-se, qual a origem deste estranho nome?

Pequena torre perto de Algés

Conta-nos uma versão da lenda que nessa povoação, entretanto ainda sem nome, vivia uma jovem lindíssima. Habitava uma torre semelhante à da imagem, e por muitos homens que buscassem o seu amor, ela rejeitava-os a todos. Um dia, conheceu um formosíssimo cavaleiro e apaixonou-se por ele. Viveram alguns tempos do mais intenso amor, até que um dia ele teve de voltar para uma qualquer guerra. Aguardando sempre pelo retorno do seu amado, a jovem colocou-se à janela e fitou o Tejo.

O tempo foi passando e a jovem tornou-se mulher, continuando a aguardar que o seu amado voltasse.

E o tempo passou, e passou, e passou. A mulher tornou-se velha, mas continuou sempre a vigiar o Tejo, com uma infinita esperança de que aquele homem que amava um dia voltasse para os seus braços. Enquanto isso, abaixo da sua janela passavam jovens todos os dias, que, fitando o rosto sempre miraculosamente imaculado da velha, jamais se cansavam de dizer ” Que linda a velha!” – e assim foi sendo dado o nome ao local em que a formosa e famosa amante um dia viveu, a terra de Linda-A-Velha…

 

Mas esta não é a única lenda associada ao local. Uma outra diz que o seu nome original era [A]Ninha-a-Velha, pelo facto de um qualquer rei, de identidade agora desconhecida, supostamente ter passado no local e, ao ver uma velha que passava muito frio, ter ordenado a alguém que “aninhasse” – ou seja, desse um agasalho – a pobre idosa. É uma de muitas lendas nacionais que, como a de Benfica, tenta explicar um topónimo através de alguma frase enigmática que se pensava que um monarca tinha dito no local…

 

E… Linda-A-Pastora?

Próxima da localidade anterior pode também ser encontrada uma com o curioso nome de “Linda-A-Pastora”. Não fomos capazes de encontrar uma lenda completa que explique esse nome, mas uma breve alusão que lhe é feita por Leite de Vasconcelos poderá indicar que a designação era anteriormente explicada relatando-se o caso de um homem que abandonou a esposa e foi viver para o Brasil, voltando muitos anos mais tarde, e encontrando no local em que tinha vivido uma belíssima pastora… sem a reconhecer, disse então “Que linda, a pastora!”, contribuindo para dar esse apelativo ao local onde reencontrou a antiga esposa.

 

A semelhança desta lenda com a anterior é inegável, sendo por isso provável que existissem em redor deste local várias lendas muito semelhantes, em que uma mesma explicação era aplicada ou a uma pastora jovem, ou a uma velha de beleza intemporal. É muito difícil saber qual veio primeiro, mas estas parecem ser as duas principais lendas que se associam a estes locais geograficamente muito próximos!

A história do Saci (ou Sacy)

Saci

O Saci, também conhecido por Sacy ou Saci-pererê (entre outros nomes), não é uma figura fácil de definir, já que os eventos que lhe estão associados parecem divergir nas diferentes zonas do Brasil. Entre as suas características essenciais contam-se o facto de ter um gorro vermelho, usar cachimbo e ter uma única perna, movendo-se ora aos saltinhos, ora por magia.

 

Por vezes é visto como uma criatura malvada, mas outros dizem que apenas faz traquinices aos incautos. Curioso é o facto do Saci poder ser capturado, seja roubando o seu gorro vermelho (a fonte do seu poder), ou fechando-o numa garrafa. Depois, para ser libertado, concede um desejo a quem o tiver capturado.

 

Sabendo que muitos dos nossos leitores são do Brasil, será que conhecem histórias concretas associadas ao Saci? Se sim, por favor partilhem-nas connosco, já que esta figura é pouco conhecida em Portugal e as suas aventuras parecem variar entre os vários estados do Brasil.

A história de Santa Eugénia

A história de Santa Eugénia, que se pensa ter vivido na primeira metade do século III, merece ser contada por cá em virtude de uma pequena ligação que a santa tem com o nosso território português – mas já iremos a essa parte, por agora conte-se o cerne da sua história.

A história de Santa Eugénia

Quando a mulher que ficou conhecida como Santa Eugénia ainda era nova fugiu de casa, disfarçou-se de homem e acabou por se juntar a uma ordem religiosa masculina (relembrando-nos até uma história hoje mais famosa, a da Papisa Joana). Depois, um dado dia, curou miraculosamente uma mulher, e como forma de “agradecimento” esta última tentou seduzi-la, mas sem qualquer sucesso. Zangada, a mulher acusou-a de adultério e a santa foi levada a tribunal, onde o juiz era ainda o seu próprio pai.

Este não a reconheceu – recorde-se que Eugénia continuava disfarçada de homem, e só ela sabia a verdade que escondia – e o caso estava prestes a ser perdido em favor da acusadora, até que a santa levantou a roupa, expôs os seus seios (assim o dizem algumas histórias bizantinas…) e declarou a sua verdadeira identidade. Assim, foi logo exonerada do crime que não tinha cometido, mas acabou por ser, alguns anos mais tarde, morta numa perseguição aos cristãos, acabando por ser decapitada na data de 25 de Dezembro, possivelmente no ano de 258 d.C.

 

Agora, esta poderia ser uma história de santos da Antiguidade como qualquer outra, mas tem, no entanto, um aspecto adicional que a torna particularmente digna de nota na cultura portuguesa. Conta-se uma espécie de lenda que a santa passou, em alguma altura, por terras de Portugal, e alguns séculos mais tarde as suas relíquias até foram trazidas para o nosso país, onde ainda estão presentes – assim reza essa história – numa igreja da zona de Rio Covo, no concelho de Barcelos. Fica a informação, caso alguém deseje visitá-la!

Três histórias antigas de Portugal… e um convite!

Estas três pequenas histórias antigas de Portugal foram-nos contadas por uma senhora na casa dos 80 anos, que nos disse que lhe foram contadas a ela pela sua avó. Reproduzimo-las aqui para que não se percam, mas deixamos igualmente um convite – conhecem outras histórias antigas de Portugal ou do Brasil, além das grandes e mais famosas lendas de Portugal? Se sim, partilhem-nas nos comentários, para que também elas dificilmente se percam, como estas três:

 

“No Inferno existe um relógio [de pêndulo], que faz o barulho ‘Nunca… Nunca… Nunca…’, porque quem aí está nunca daí sairá. No Céu existe um relógio  [de pêndulo], que faz o barulho ‘Sempre… Sempre… Sempre….’, porque quem aí está sempre aí ficará.”

 

“Existia um homem que trabalhava e cortava sempre ervas ao domingo. Como castigo, Nosso Senhor disse-lhe ‘Vou-te colocar num sítio onde o poderás fazer para sempre’. Então, quando hoje olhamos para a Lua, podemos lá ver uma zona mais escura, que são as ervas que esse homem ainda hoje corta.”

 

“Vai haver um cavalo relinchão, que não bebe água nem come pão…”, “que são [agora] os aviões.”

 

Como prometido, e apesar de pequenas, estas são três histórias antigas de Portugal, para mais tarde recordar…