Na cultura ocidental existem todo um conjunto de ideias mais ou menos supersticiosas que se crê darem alguma boa sorte na nossa vida diária. Uma das mais famosas, hoje em dia, é a ideia de que uma ferradura dá boa sorte. Ora, em termos de uma certa brincadeira, que até muito se repete pelo país fora, podemos dizer que ela certamente não a deu aos animais que normalmente a carregam, mas de onde vem a ideia segundo a qual este objecto tem poderes positivos para influenciar a nossa vida?

Se crenças semelhantes já existiam na Antiguidade, na nossa cultura a ideia de que uma ferradura dá sorte parece provir de uma lenda da Idade Média. Ela diz-nos que um determinado santo – Dunstano da Cantuária ou Elói, entre outras possíveis versões – era ferreiro, antes de ingressar por uma vida religiosa, e que nessa altura o Diabo se aproximou dele e lhe pediu que arranjasse uma das ferraduras que usava nos pés (supõe-se, naturalmente, que ele tivesse aqui a forma animalesca que ainda lhe atribuímos hoje). Quando o fez, o mafarrico sentiu tantas dores que achou que nunca mais voltaria a andar, e pediu por tudo ao futuro santo que lhe removesse o que ainda agora tinha instalado. E o ferreiro assim o fez, como é claro, mas não sem que antes fizesse um pequeno pedido – o Diabo nunca mais deveria fazer o seu mal nos locais em que existisse uma ferradura, explicando-nos toda esta superstição dos nossos dias.
Mas esta não é a única resposta possível ao porquê de dar uma ferradura boa sorte. Existem muitas outras respostas, mas uma das mais curiosas que fomos encontrando diz que a razão para tal é tripla – a ferradura é feita de ferro (outrora acreditava-se afastar bruxas e criaturas mitológicas); tem quase a forma de um crescente (ligando-a a algumas práticas mágicas); e pode ser vista como parte constituinte de um cavalo, que em algumas culturas é considerado um animal importante, ou que dá sorte, quanto mais não seja porque possibilitava uma fuga rápida do campo de batalha.
Mas, qualquer que seja a origem dessas crenças, não parece importar, nesse sentido, a forma como ela é colocada ou usada, ou mesmo o número de furos que tem (a presença de sete em muitas dessas superstições deve-se somente ao facto de se tratar de um número simbolicamente mágico, como também o são o três e o 13). Basta a sua presença, supõe-se, para que todo um dado local fique completamente protegido de influências malévolas, acreditando-se então que são os demónios que causam o mal ás pessoas, mas que desta forma deixam de o fazer.



