Algumas questões colocadas ao Oráculo de Dodona

Hoje, decidimos trazer uma publicação um pouco diferente do que é habitual, apresentando algumas questões colocadas ao Oráculo de Dodona. Este recinto religioso já era conhecido nos tempos homéricos, mas hoje em dia é considerado secundário face ao de Delfos; porém, a ideia essencial por detrás de ambos é semelhante, eram ambos locais em que os crentes podiam fazer perguntas aos deuses e obter respostas divinas. Se em Delfos o deus consultado era Apolo, já no Oráculo de Dodona o grande interveniente era o pai de todos os deuses, Zeus, que supostamente revelava o futuro através dos movimentos da sua árvore sagrada, o carvalho.

O Oráculo de Dodona

Mas agora, por um breve momento, ponha-se uma pequena questão aos leitores. Se tivessem essa possibilidade de saber o futuro, que questões colocariam vocês aos deuses? Será que as vossas perguntas seriam diferentes das que foram efectivamente colocadas a Zeus no Oráculo de Dodona? Agora, poderão ver aqui cinco pequenos exemplos, provindos de uma edição de Dittenberger disponível gratuitamente online:

 

– Devemos emprestar dinheiro à pessoa X?

– Vou ter filhos desta pessoa? O filho que esta pessoa vai ter é meu?

– A que deus deve ser feito um sacrifício para os meus problemas de saúde serem resolvidos?

– Devo comprar aquela casa e terreno?

– Devo criar gado?

 

O que estes exemplos nos permitem constatar é que a curiosidade relativa ao futuro, que a humanidade teve e continua a ter, se prende com elementos estáveis da sua existência – questões monetárias, incertezas amorosas, problemas de saúde e outras decisões que têm um grande impacto nas nossas vidas. Talvez não sejamos assim tão diferentes dos Antigos Gregos…

O mito de Areito

Imagem de alguém que claramente não era Areito

O mito de Areito é daqueles aos quais apenas temos uma brevíssima alusão na Ilíada, mas que também não nos chegaram em qualquer outra fonte.

É-nos então relatado que ele usava uma clava de ferro para derrotar os seus opositores; o que um tal Licurgo da Arcádia fez para o derrotar foi pura e simplesmente conduzi-lo a um defiladeiro apertado, onde este não podia usar a clava em seu favor, e depois facilmente o derrotou.

Uma breve descrição do mito de Admeto e Alceste

Este mito de Admeto e Alceste é-nos famoso de uma tragédia de Eurípides. Porém, foi assim relembrado, nas suas linhas gerais, por Musónio Rufo, já no primeiro século da nossa era:

 

Admeto recebeu como presente dos deuses que vivesse o dobro do tempo que lhe foi dado se alguém consentisse morrer em seu lugar. Descobriu que os seus próprios pais não estavam dispostos a tal, apesar de serem idosos. Mas a sua esposa, apesar de bastante jovem, aceitou prontamente a morte em lugar do seu marido.

 

E este o cerne da história; o resto pode ser visto na respectiva tragédia.

Outra história de Hércules no Olimpo

Raros são, como já uma vez aqui dissemos, os mitos associados a Hércules após este ter ascendido ao Olimpo. Aqui fica uma pequena excepção a essa regra, outra história de Hércules no Olimpo:

Conta-nos uma das fábulas de Fedro que quando Hércules ascendeu ao Olimpo os vários deuses o vieram cumprimentar. No entanto, quando Plutão (deus dos Infernos, mas também das riquezas) o fez, o novo deus virou a sua cara, justificando a sua acção da seguinte forma – “Odeio-o, porque ele é amigo daqueles que são perversos, e ao mesmo tempo corrompe toda a humanidade ao apresentar a tentação de lucrar mais e mais”.

O mito de Argos

A figura por detrás do mito de Argos – que não deve ser confundida com um outro Argos, o tristonho cão de Ulisses – é famosa de um episódio em que a deusa Hera o colocou a guardar Io, uma princesa grega que tinha sido amada por Zeus, mas que agora estava transformada em vaca. Tratar-se-ia do guarda perfeito, já que todo o seu corpo tinha incontáveis olhos, pelo menos um dos quais estava constantemente aberto e atento. Hermes, a mando do pai dos deuses, posteriormente faria Argos adormecer (a forma como o fez varia mediante as diversas versões do mito), matando-o em seguida e acabando por salvar Io. Para terminar, Hera decidiu colocar os muitos olhos de Argos nas penas do pavão, onde ainda hoje as podemos ver.

Este monstro, como um anterior, também provém da série Zyuranger. Aqui chamado “[Dora]Argos”, estava totalmente coberto de olhos, um dos quais estava sempre acordado (ter em atenção o olho amarelo, na imagem acima). Se o resto do episódio pouco nos diz em relação ao mito original, é curiosa esta representação da figura, até infrequente na cultura ocidental; a maior parte das vezes Argos é mostrado somente como um pastor, apesar de existirem excepções, como a mostrada abaixo, em que o seu corpo pode ser visto com vários olhos fechados no momento em que Mercúrio se preparava para o degolar:

A final do mito é feita também uma breve alusão na imagem acima – no canto superior esquerdo pode ser vista Hera e um pavão. Como já dito acima, após a morte de Argos a deusa decidiu transformá-lo nesse animal, preservando os seus miraculosos olhos nas belas penas do animal.