Como foi a divisão do mundo pelos deuses do Olimpo?

Por vezes gostamos de explorar um pouco as questões e pesquisas que as pessoas fazem neste espaço. Nesse sentido, há uns dias alguém procurou por cá a pergunta que dá o título a esta entrada. Correndo o risco de estar a fazer o trabalho de casa de algum aluno, achámos que poderíamos escrever um pouco sobre ela.

 

Existem várias alusões na literatura da Antiguidade a uma primordial divisão do mundo em três partes. Segundo um dos livros da Ilíada (apenas para mencionar uma das fontes mais óbvias), numa dada altura foram tiradas sortes e, por mero acaso, foi então decidido que os céus ficariam para Zeus, os mares para Poseidon e o submundo para Hades. Não verificámos os comentadores a essa passagem, mas é provável que essa divisão já fosse até conhecida no tempo dos poemas de Homero; outros autores também a ela fazem alusão, não parecendo existir qualquer versão alternativa do episódio em que, por exemplo, Zeus seja o senhor dos oceanos ou do submundo; existem, porém, versões satíricas em que esse cânone primordial é, de alguma forma, remexido ou parcialmente alterado.

Os cavalos lusitanos nascem dos ventos?

Diversas são as fontes da Antiguidade que nos contam algo curioso – existiam em terras da Lusitânia éguas que engravidavam somente por causa dos ventos. O episódio é localizado perto de Olisipo e do Rio Tejo; Varrão coloca-o no “Monte Tagro”, Columela diz que o local era o “Monte Sagrado”, enquanto que as fontes posteriores nada de muito útil adicionam em relação ao local em que tamanho prodígio tomava lugar. Onde seria? É provável que se tenha tratado de Sintra, até pelas enormes ventanias que existem próximas dessa serra. Outros falam de Montejunto. Mas, ainda assim, ninguém parece ter uma absoluta certeza… mas isso bem justificaria a sua fama!

Uma pintura da queda de Tróia na Biblioteca Nacional de Portugal

Incêndio de Tróia

Na imagem acima pode ser vista uma pintura representando a queda de Tróia que é hoje pertença da Biblioteca Nacional de Portugal (mais informação pode ser lida clicando na imagem), e que parece ser datada do século XVII. O que ela tem de especial é mesmo o facto de representar a queda da cidade recorrendo aos seus elementos mitológicos mais famosos:

  1. A torre da cidade, onde ocorreram diversos diálogos e de onde Astíanax foi atirado.
  2. As famosas muralhas que protegiam Tróia.
  3. O Cavalo de madeira, usado pelos Gregos para a invasão da cidade.
  4. (Provavelmente) O templo em que estava guardado o Paládio.
  5. Os esgotos da cidade, por onde Ulisses entrou aquando do roubo do Paládio.
  6. Eneias, com o pai às costas e o filho a seu lado.
  7. O barco que Eneias irá tomar para escapar de Tróia.
  8. Um enorme edifício em chamas, podendo tratar-se do palácio real.

 

Esta é uma representação da queda de Tróia tal como esta acontecia na Eneida, focando-se mais na dor dos derrotados do que na felicidade dos vencedores. Os Gregos, esses, remetem-se a meros vultos que saem do cavalo, como que anunciando, desse lado esquerdo, a destruição posteriormente concretizada no resto da pintura. É um quadro repleto de significado, de que esperamos que gostem!

Porque cheiram os cães os rabos alheios?

Cão a cheirar o rabo de um companheiro

Quem tiver cães certamente que já os viu a cheirarem os rabos alheios… mas porque o fazem? Quem nunca se interrogou sobre esse invulgar comportamento?

 

Essencialmente, contam-nos as fábulas de Fedro que, numa dada altura, os cães enviaram uma embaixada ao pai dos deuses, procurando uma vida melhor para a sua espécie. Porém, quando estes embaixadores viram os deuses com os seus próprios olhos, “descuidaram-se”.

Passado algum tempo, e sem que voltassem a ver os embaixadores originais, os cães decidiram enviar um segundo grupo aos deuses. Para impedir que o mesmo voltasse a acontecer, colocaram perfumes nos traseiros dos embaixadores; mas também a nova embaixada, quando viu o poder e o horrendo som dos relâmpagos de Júpiter, fez o mesmo, deixando não só os seus dejectos mas também o perfume no local.

Júpiter, zangado, decidiu então que os cães iriam manter a vida que tinham, ou seja, que iriam passar muita fome, de forma a que não tornassem a cometer o mesmo erro que duplamente tinham feito.

 

Porque cheiram então os cães os rabos alheios? Segundo Fedro, fazem-no provavelmente na esperança de que, quando vêem um cão que nunca viram antes, reconhecerem-nos como parte dos potenciais embaixadores que enviaram aos deuses, e dos quais ainda esperam vir a ter notícias.

Os deuses e a escolha das árvores

Imagem de uma oliveira

Esta pequena história dos deuses provém das fábulas de Fedro.

 

Conta-nos então esse autor que, um dado dia, os deuses do Olimpo decidiram escolher as suas respectivas árvores – Júpiter escolheu o Carvalho, Vénus a Murta, Febo Apolo o Loureiro, Cibele o Pinheiro e Hércules o Choupo. São, todas elas, árvores que não dão fruto, o que levou Minerva a perguntar-se sobre a razão para tal; Júpiter, seu pai, respondeu-lhe que assim não venderiam as suas honras em troca das frutas. A ele, a deusa retorquiu que, ainda assim, a Oliveira (vista na imagem acima) lhe era mais cara em virtude do seu fruto.

 

A verdadeira moral da história provém dos próprios lábios de Júpiter – “Ó filha, é com justiça que és chamada sábia por todos; pois, a não ser que o que fazemos for útil, vã é a nossa glória“.