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Mitologia em Português

Mitologia em Português

13 de Janeiro, 2021

O mito de Pangu e a criação na Mitologia Chinesa

Falar da criação na Mitologia Chinesa não é tarefa fácil. Isto porque existem muitas versões desses acontecimentos, algumas mais filosóficas que outras, gerando um conjunto de opiniões muito diversas, mais do que uma completamente fixa e bem aceite por todos. O mito de Pangu (ou Pan Ku, segundo alguns), de que falamos hoje e que já só nos aparece preservado na literatura dos primeiros séculos da nossa era, é uma dessas opiniões, possivelmente uma das duas mais conhecidas (em relação a essa outra, voltaremos ao tema daqui a umas semanas), pelo que recontamos aqui esse mito chinês muito significativo.

Pangu e a criação na Mitologia Chinesa

No início existia o caos (relembrando-nos até um famoso mito grego), poeticamente definido como a matéria ainda não formada no interior de um ovo. Foi aí que nasceu ou apareceu Pangu, o primeiro de todos os seres, com uma forma muito animalesca - uma espécie de ser humano, mas muito peludo e com cornos. Provavelmente sem nada que fazer, este primeiro ente decidiu então ordenar todo esse caos, separando-o em duas metades, yin e yang, e forçando-as a afastarem-se com a força dos seus próprios músculos à medida que foi crescendo de estatura. Por vezes é até ajudado por quatro criaturas lendárias - o dragão, a tartaruga, o Qilin e Fenghuang, bem conhecidos nessa cultura - dada a complexidade da tarefa que estava a realizar.

18000 anos depois - um número naturalmente simbólico - Pangu sentiu-se a morrer. Então, o seu corpo foi progressivamente sofrendo uma mutação - da sua respiração nasceu o vento, dos seus dois olhos o Sol e a Lua, da sua cabeça as montanhas, dos seus músculos os campos passíveis de ser cultivados, do seu pêlo as florestas, das pulgas que o empestavam os mais diversos animais, e assim por diante, até que tudo o que existe foi criado pela morte deste primeiro ser.

 

Certamente que este mito de Pangu, de origem chinesa, levanta muitas questões - por exemplo, se ele já tinha pulgas, quem as criou a elas? - mas é, talvez mais do que tudo o resto, uma espécie de grande metáfora para a existência de tudo através da intervenção proto-humana, como na célebre ideia de que o ser humano é a medida de todas as coisas. Mas relembre-se, no entanto e de forma muito importante, que esta era somente uma única opinião entre tantas outras. Existem muitas mais, entre as quais se conta uma possivelmente até ainda mais famosa que esta (☯), mas essa outra criação na Mitologia Chinesa terá de ficar para um outro dia...

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